18 de fevereiro de 1546: O Último Dia de Martinho Lutero 

Gravura: A vitória da morte, 18 de fevereiro de 1546 (gravura de Pardimel a partir de uma pintura de Labouchère).

Martinho Lutero (Eisleben, 10 de novembro de 1483 – Eisleben, 18 de fevereiro de 1546) foi uma das figuras mais marcantes da História do Cristianismo e protagonista da Reforma que alterou, para sempre, o mapa religioso da Europa.

Profundamente crente e movido por uma inquietação espiritual característica do seu tempo, Lutero interrogava-se sobre o mistério da salvação e o destino eterno do ser humano. Convencido de que nem as boas obras nem as indulgências podiam conduzir à salvação, defendia que apenas a fé em Deus justificava e redimia o homem.

Para Lutero, o caminho da salvação era responsabilidade individual de cada cristão, sustentado unicamente pela fé. As indulgências — práticas tão comuns na Igreja da época — surgiam, aos seus olhos, como uma violação da autêntica doutrina evangélica.

No dia 31 de outubro de 1517, Lutero afixou na porta da catedral de Wittenberg as suas célebres 95 Teses contra as Indulgências, gesto que simbolizou a rutura com Roma e marcou o início oficial da Reforma Protestante.

Em Eisleben, em 1546, terminou a vida de Martinho Lutero, cuja fé e pensamento deixaram marca duradoura na história do cristianismo.
Porta da Igreja do Castelo em Wittenberg, onde Martinho Lutero pregou as suas 95 Teses.

Poucos anos depois, em 1530, o protestantismo afirmava-se doutrinalmente na Confissão de Augsburgo, que sistematizava os princípios fundamentais do luteranismo. Entre as rejeições de Lutero aos dogmas católicos, destacam-se:

– Recusa da autoridade do papa e da hierarquia eclesiástica.

– Supressão do celibato clerical, afirmando a igualdade de todos os crentes pelo Batismo.

– Defesa do sacerdócio universal: todos os fiéis são pastores e servos da Palavra.

– Tradução da Bíblia para as línguas nacionais, tornando-a acessível a todos.

– A Sagrada Escritura como única fonte autêntica de fé e revelação.

– Rejeição do valor das obras na salvação: só a fé em Deus salva.

– Reconhecimento de apenas dois sacramentos: o Batismo e a Eucaristia, praticada sob as duas espécies, o pão e o vinho.

– Recusa do culto à Virgem e aos santos, bem como de determinados ritos considerados inúteis.

– Celebração da missa em língua vulgar, centrada na leitura do Evangelho, no sermão e nos cânticos.

O impacto do movimento luterano foi profundo e imediato, abrindo caminho à rápida expansão do protestantismo e forçando a Igreja Católica a empreender um vigoroso processo de autocrítica e renovação interna — a Reforma Católica ou Contrarreforma.

Martinho Lutero faleceu na sua cidade natal, Eisleben, a 18 de fevereiro de 1546, e encontra-se sepultado na Igreja do Castelo de Wittenberg (Alta Saxónia, Alemanha).

O último escrito preservado de Lutero foi encontrado em cima de uma mesa após a sua morte. O pequeno pedaço de papel continha apenas algumas frases e terminava com estas palavras:

“Somos mendigos. Esta é a verdade.”

Túmulo de Martinho Lutero [Wittenberg,Schlosskirche]

No contexto da Contrarreforma, surgida em resposta ao impacto do protestantismo, a Companhia de Jesus destacou-se como o principal instrumento de renovação e afirmação da Igreja Católica. Fundada por Inácio de Loyola e aprovada pelo Papa em 1540, a ordem jesuíta tornou-se o verdadeiro “braço espiritual do Papa”, dedicada à defesa da fé, à formação intelectual do clero e à evangelização no mundo. O seu dinamismo missionário e disciplina rigorosa fizeram dela um dos pilares do catolicismo reformado, empenhada em reconquistar almas e restaurar a autoridade de Roma.

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VEIGA, Francisca Branco (2026), 18 de fevereiro de 1546: O Último Dia de Martinho Lutero  (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [18 de Fevereiro de 2026].

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