Padre António Vieira

(Lisboa, 6 de fevereiro de 1608 — Salvador, 18 de julho de 1697)

Padre António Vieira, notável prosador e um dos mais conhecido orador religiosos portugueses, passou pelos espaços do noviciado da Cotovia (atual espaço do Museu Nacional de História Natural e da Ciência), como consequência das suas atitudes e afirmações, na defesa dos seus ideais. Nasceu em 1608, em Lisboa e morreu em 1697, na Baia, Brasil. Destacou-se como missionário em terras brasileiras.

Defendeu até ao limite os direitos humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização. Defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos, judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição e cristãos-velhos, e a abolição da escravatura.

Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição. Em 1664, adoentado, teve de comparecer diante do Tribunal da Inquisição, para responder sobre seu escrito «Quinto Império»*. Em 1665, recebe ordem de prisão da Inquisição, entregando a sua defesa um ano mais tarde, aos examinadores da Inquisição.

 Em 1667 o Tribunal da Inquisição de Coimbra dá a sentença final, proibindo-o de pregar para sempre, confinando-o por tempo indeterminado numa casa da Companhia. É feita a leitura da sentença da Inquisição no refeitório do Colégio da Companhia de Jesus de Coimbra, perante toda a comunidade.

Em janeiro de 1668, o Tribunal da Inquisição de Coimbra determina que um colégio da Companhia de Jesus seria o seu lugar de reclusão, sendo que no mês seguinte, o mesmo Tribunal vai permitir-lhe que mude para o noviciado de Cotovia, em Lisboa. Destaca-se uma carta ao Duque do Cadaval onde ele afirmava que,

“O passar de Coimbra para a Cotovia e da profissão para o noviciado, não sei se é ir adiante, se tornar atraz”.  

Em abril, teólogos de Coimbra julgam que a sua causa deve ser revista pelo Tribunal Pontifício pois, segundo estes, todo o processo se fizera não por zelo da verdade mas por ódio ao padre António Vieira e aversão à Companhia de Jesus.

Em junho é liberado pela Inquisição de Lisboa das penas que lhe impôs a Inquisição de Coimbra, mas com a obrigação de não tratar sobre os assuntos de que fora acusado.

Já em 1669, numa carta do Padre Provincial do Brasil ao Superior Geral, o padre João Paulo Oliva, é comunicado que seria enviado a Roma o padre António Vieira, para este promover o processo de beatificação dos padres José de Anchieta e Inácio de Azevedo e dos trinta e nove companheiros martirizados a caminho do Brasil. Mas a intenção principal era solicitar ao Santo Ofício de Roma a revisão do seu processo na Inquisição de Coimbra.

Embarca de Lisboa para Roma onde irá ficar até 1675, data em que o Papa Clemente X, através do Breve Pontifício aprova a doutrina do padre António Vieira, isentando-o da Inquisição de Portugal. Morreu no Brasil, na região da Baia, velho e doente, a 18 de julho de 1697, com 89 anos.

Também é conhecido no Brasil por “Paiaçu”, que significa Grande Padre/Pai, em tupi.

*veja-se, O Occidente, de 20 de julho de 1897.

In VEIGA, Francisca Branco – “Noviciado da Cotovia: O passado dos Museus da Politécnica 1619-1759” [texto policopiado]. Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em Património Cultural. Lisboa: Universidade Católica Portuguesa, 2009.

Estátua de padre António Vieira, inaugurada no dia 22 de junho de 2017.
Marco Fidalgo, Escultor
Largo Trindade Coelho, Lisboa

INSCRIÇÃO:

PADRE
ANTÓNIO
VIEIRA S.J.

Lisboa 1608
S. salvador da baía
(Brasil) 1697

jesuíta
pregador
sacerdote
político
diplomata
defensor dos índos e
dos direitos humanos
lutador contra
a inquisição