
Em Carnaxide, o céu abriu-se como uma ferida de luz.
Da colina, o povo viu nascer a Senhora —
não da terra, mas do espanto.
Trouxe no olhar o fogo de 1822,
quando os homens gritavam liberdade
e os altares tremiam.
Chamaram-lhe a Primeira Revolucionária,
porque veio inverter o sentido das vozes,
porque ergueu um estandarte de silêncio
contra o rumor das praças.
Ela não falava — mas o vento
levava o seu nome sobre o campo,
e os corações curvavam-se como espigas.
Nossa Senhora da Rocha —
não do mar, mas da terra ferida,
não da revolta, mas da promessa.
Entre a fé e o poder,
entre o altar e o trono,
permanece guardada sob o zelo da Irmandade,
que na devoção sustém a chama e o destino.
Francisca Branco Veiga
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VEIGA, Francisca Branco, A “Primeira Revolucionária” Divina (1822) (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [11 de junho de 2026].
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