Um panfletista miguelista galego naturalizado português

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Introdução
Alvito Buela Pereira de Miranda foi uma figura curiosa e pouco conhecida do período da Revolução Constitucionalista portuguesa (1820–1834). Natural da Galiza, sacerdote egresso da Ordem Beneditina, envolveu-se ativamente nas lutas políticas que agitaram Portugal e escreveu panfletos contra os liberais com um estilo ainda mais violento do que o do célebre Padre José Agostinho de Macedo.
Este artigo resume a sua biografia, com base no Diccionarío bibliográphico de Inocêncio Francisco da Silva (vol. VIII) e em documentos do Arquivo Histórico Militar.
Dados Biográficos Principais
| Dimensão | Informação |
|---|---|
| Nascimento | 1791, Galiza (Espanha) |
| Ordem religiosa | Egresso da Ordem Beneditina |
| Morte | Outubro de 1862, Vilarelho da Raia, Trás-os-Montes |
| Naturalização | Portugal (chegado da Galiza) |
Percurso Político e Militar
Fase Miguelista (1820–1834)
Entre 1820 e 1834, o P. Alvito envolveu-se nas lutas políticas que agitaram Portugal durante o período constitucional. Em 1822, emigrou para Espanha, acompanhando as tropas do 2.º Conde de Amarante e do 1.º Marquês de Chaves, que ali se acolheram após a revolta de Vila-Real (5 de outubro de 1822), contra o regime constitucional.
Segundo um dos documentos reproduzidos, terá também anteriormente seguido para Espanha com o mesmo caudilho miguelista, depois de este ser derrotado em Amarante (5 de março de 1823) pelo general Luiz do Rêgo.
Regresso e Cargos sob D. Miguel
Voltou a Portugal no reinado de D. Miguel. Em 1830, os seus serviços prestados à causa absolutista foram remunerados com a nomeação de pároco encomendado de Santa Marinha, em Lisboa.
Foi, posteriormente, provido na abadia de S. Miguel de Rebordosa, distrito do Porto.
Fase Liberal (pós-1834)
Apesar da sua atitude miguelista, após a Convenção de Évora-Monte (1834) fêz-se liberal. Isso valeu-lhe o ser conservado na sua abadia, da qual depois foi transferido para a de S. Tiago de Vilarelho da Raia, em Trás-os-Montes, concelho de Chaves, onde faleceu em outubro de 1862.
Atividade Jornalística e Panfletária
Jornais Miguelistas
| Jornal | Local | Ano | Contribuição |
|---|---|---|---|
| Defeza de Portugal | Lisboa | 1831–1833 | Artigos violentos contra liberais |
| Verdadeiro Eco de Portugal | Coimbra | 1834 | Artigos violentos contra liberais |
| O Povo Legitimista | Lisboa | 1860 | Colaborador |
Estilo Panfletário
Como jornalista-panfletário, escreveu contra os liberais artigos ainda mais violentos do que os do Padre José Agostinho de Macedo e de D. Fr. Fortunato de S. Boaventura.
Documentos do Arquivo Histórico Militar
Alistamento Militar (1828)
Em junho de 1828, alistou-se voluntariamente, como soldado, na 1.ª companhia do Batalhão de Voluntários Realistas de Vila-Real, de que era comandante o coronel António Colmieiro de Morais, 2.º Barão de Paúlos.
Nesta companhia exerceu também as funções de capelão. Concorreu ainda, como secretário do coronel, para se reunir e organizar o mesmo batalhão, por ocasião da malograda revolta militar no Porto, em 16 de maio de 1828.
Pedido de Baixa (1830)
Em 7 de abril de 1830, estando em Lisboa, encarregado de diversas comissões, pediu baixa e demissão de soldado, por não poder exercer, no seu batalhão, as suas obrigações militares, visto que a abadia de S. Miguel de Rebordosa, que lhe fora concedida por D. Miguel, ficava 11 léguas distante de Vila-Real, sede daquela unidade militar.
Declara, porém, que, no caso de ocorrer nova sublevação contra os direitos e augusta pessoa do rei, se reunirá a qualquer batalhão que fique próximo daquela igreja.
O Duque de Cadaval foi, porém, de parecer que, dado o seu carácter sacerdotal, não podia ser considerado como soldado, visto ter-se alistado numa época em que a formação dos corpos voluntários realistas não obedecia a quaisquer prescrições legais. E, assim, entendia que ele não necessitava da escusa que solicitara.
Fontes Utilizadas
- Inocêncio Francisco da Silva, Diccionarío bibliográphico, vol. VIII
- Arquivo Histórico Militar, documentos sobre o Batalhão de Voluntários Realistas
- Henrique de Campos Ferreira Lima, Coronel de Artilharia, Director do Arquivo Histórico Militar
Síntese Final
Alvito Buela Pereira de Miranda foi um panfletista miguelista galego naturalizado português, egresso beneditino, que:
- Participou nas lutas políticas de 1820–1834 e emigrou para Espanha em 1822
- Serviu sob D. Miguel como capelão, secretário e soldado voluntário
- Escreveu panfletos mais violentos contra liberais do que José Agostinho de Macedo
- Fez-se liberal após 1834, conservando a abadia
- Morreu em 1862 em Vilarelho da Raia
Nota
Este artigo baseia-se em fontes históricas primárias, incluindo o Diccionarío bibliográphico de Inocêncio Francisco da Silva e documentos do Arquivo Histórico Militar. A figura de Alvito Buéla Pereira de Miranda permanece pouco estudada, mas o seu envolvimento na imprensa miguelista e nas lutas políticas do período constitutional oferece um testemunho interessante do papel do clero na controversa disputa entre liberalismo e absolutismo em Portugal.
CARTA DE NATURALIZAÇÃO
1.ª De Alvito Buela Pereira de Miranda
“As Côrtes Gerais, Extraordináarias e Constituintes da Nação Portuguesa, atendendo ao que lhes foi representado por Alvito Buela Pereira de Miranda, natural de Santiago, Reino de Galiza, Egresso da Congregação Beneditina, o qual reside em Vila Real, ensinando Gramática Latina por Provisão da Junta da Directória Geral dos Estudos: Concedem ao Suplicante Carta de naturalização sem dependência de outra alguma diligência, para que possa gozar de todos os direitos e prerrogativas, que competem aos Naturais do Reino-Unido de Portugal, Brasil e Algarves.Paço das Côrtes em 22 de Dezembro de 1821. Francisco Manuel Trigoso d’Aragão Morato, Presidente, António Ribeiro da Costa, Deputado Secretário, João Baptista Felgueiras, Deputado Secretário.” (Collecção Dos Decretos, Resoluções e Ordens das Cortes Geraes, Extraordinárias e Constituintes da Nação Portugueza, Desde a Sua Instalação em 26 de Janeiro de 1821 … – Parte I; Coimbra, 1822. pág. 310)

O Periódico “Defeza de Portugal“
Semanário político, moral e miguelista de Alvito Buéla Pereira de Miranda
Dados Básicos do Periódico
| Dimensão | Informação |
|---|---|
| Título completo | Defeza de Portugal: seminário periodico, politico e moral |
| Local de publicação | Lisboa, Portugal |
| Período | 1831–1833 |
| Editor | Pe. Alvito Buéla Pereira de Miranda |
| Orientação política | Miguelista (absolutista) |
| Tipo | Semanário político |
Características do Periódico
Orientação Ideológica
- Defesa do absolutismo e do reinado de D. Miguel
- Oposição frontal ao liberalismo e à Revolução Constitucionalista
- Panfletário violento contra os liberais, com artigos considerados ainda mais agressivos do que os do Padre José Agostinho de Macedo e do Fr. Fortunato de S. Boaventura
Conteúdo
- Artigos políticos contra o regime constitucional
- Panfletos e campanhas de propaganda absolutista
- Moral e religião como argumento de defesa do absolutismo
- Críticas aos «revolucionários» e ao «liberalismo»
Estilo
- Linguagem violenta e agressiva
- Tom panfletário e propaganda política
- Uso de argumentos religiosos (defesa da «Verdade» e da «causa absolutista»)
Importância Histórica
O Defeza de Portugal foi um dos principais periódicos miguelistas do período de 1831–1833, durante a Guerra Civil Portuguesa (1828–1834).
- Editor: Alvito Buéla Pereira de Miranda, panfletista galego naturalizado português
- Contexto: Publicação durante o reinado de D. Miguel e a resistência absolutista
- Papel: Ferramenta de propaganda absolutista e oposição ao liberalismo
- Legado: Testemunho da imprensa miguelista e do papel do clero na disputa política
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VEIGA, Francisca Branco, O Panfletário Alvito Buela Pereira de Miranda (1791–1862) (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [8 de junho de 2026].
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