A Capela de Nossa Senhora de Porto Salvo, em Oeiras: arquitetura rural e devoção marítima

A Capela de Nossa Senhora de Porto Salvo, em Oeiras, conserva na sua arquitetura a memória de um antigo espaço de devoção e de romaria. Construída a partir de 1670, sobre uma ermida quinhentista, foi sendo transformada ao longo de várias décadas, adquirindo no século XVIII uma rica decoração de azulejos barrocos e talha dourada. O seu amplo alpendre, a relação com os romeiros e a ligação histórica aos homens do mar testemunham a importância que este lugar assumiu na paisagem religiosa de Oeiras.

Palavras-chave:
Nossa Senhora de Porto Salvo; Porto Salvo; Oeiras; Caspolima; arquitetura religiosa; arquitetura rural; ermidas; devoção mariana; romaria; homens do mar; Irmandade de Nossa Senhora de Porto Salvo; azulejo barroco; talha dourada; século XVII; século XVIII; património religioso.

A Capela de Nossa Senhora de Porto Salvo, situada no antigo lugar de Caspolima, constitui um dos mais destacados edifícios religiosos do concelho de Oeiras. A sua história está ligada à devoção a Nossa Senhora de Porto Salvo, à tradição marítima e às romarias que, desde o século XVI, marcaram este lugar.

Porto Salvo (N.ª Sra. do Porto Salvo)

Concelho                                Oeiras

Área                                        7,10 km²

População                             c. 15 000 hab.

Densidade                              1 933,0 hab. /Km²

Orago                                     Nossa Senhora de Porto Salvo

A origem da ermida

A origem da ermida é tradicionalmente situada por volta de 1530. Segundo a tradição, a sua construção resultou de uma promessa feita por mareantes da carreira da Índia que, durante o regresso a Portugal, se encontraram em grande perigo. Terão prometido a Nossa Senhora que, se chegassem sãos e salvos, lhe dedicariam uma ermida no primeiro lugar alto que avistassem à chegada.

A súplica terá sido ouvida e a bonança manteve-se até à vista do estuário do Tejo. Cumprida a promessa, foi construída a ermida no outeiro de Caspolima.

O rei D. João III terá cedido aos mareantes o baldio identificado no reguengo de Oeiras para a construção da ermida, que desde então se tornou lugar de devoção e de romaria.

A festa de Nossa Senhora de Porto Salvo era celebrada a 25 e 26 de julho, dias de São Tiago e de Santa Ana, e prolongava-se por dois dias.

A localização da ermida, num ponto elevado e com uma posição privilegiada em relação à barra do Tejo, contribuiu para a associação do lugar à proteção dos homens do mar, estando igualmente na origem da designação de Porto Salvo.

A reconstrução da ermida no século XVII

A antiga ermida, considerada «pequenina», foi demolida em 1670, iniciando-se nesse mesmo ano a construção de um novo edifício.

Durante a demolição foram aproveitados alguns azulejos de «tapete», posteriormente reutilizados na nova construção, e possivelmente algumas peças soltas, entre as quais imagens e pinturas. Entre estas encontra-se o Pentecostes, pintado sobre tábua, atualmente na sacristia.

A reconstrução coincidiu com a organização dos devotos de Lisboa, essencialmente ligados ao meio marítimo. Em 1675 foi fundada a Irmandade de Nossa Senhora de Porto Salvo, com sede na Igreja da Vitória, em Lisboa. Esta organização esteve na origem de algumas confusões e atritos com a população de Caspolima.

Os estatutos da Irmandade foram aprovados em 1678 pelo arcebispo de Lisboa, D. Luís de Sousa. Encontravam-se manuscritos num livro de pergaminho intitulado Compromisso da Irmandade de N. S. do Porto Salvo do lugar de Caspolima & sita na Igreja de N. Soara da Vitória desta cidade de Lxª, Ano 1675, Ludovicus Nunes Tinoco fecit. O manuscrito, que abria com uma iluminura de Nossa Senhora, encontra-se atualmente em paradeiro desconhecido.

A ermida, organizada em confraria, contava com juiz, juíza, escrivão, tesoureiro e dois procuradores, um para as festas e outro para as obras, além de doze mordomos e dez mordomas.

Irmandade de Nossa Senhora do Porto Salvo

Uma construção realizada por etapas

A reconstrução começou pela capela-mor, em 1670. Em 1674 foi construído o alpendre, necessário ao acolhimento dos romeiros, pelo mestre de obras António João Valente Sucesso.

O corpo do edifício foi construído durante a década seguinte e encontrava-se a ser terminado em 1689. Nos anos seguintes foram realizados outros elementos, entre os quais as portas e o púlpito.

A capela-mor voltou a receber obras em 1683-1684, nomeadamente no altar-mor, onde foi construída uma tribuna. Em 1740 foi colocado um novo trono, realizado por Francisco Xavier, seguindo-se, em 1743, uma remodelação feita por Manuel da Costa Barbuda.

A porta lateral da nave foi concretizada em 1692 e a sacristia começou a ser construída em 1693. A pintura da abóbada da nave só foi realizada em 1712.

A sucessão de obras ao longo de várias décadas demonstra o caráter progressivo da construção da atual capela.

Uma arquitetura rural

Fotografia: @franciscabrancoveiga

A Capela de Nossa Senhora de Porto Salvo apresenta características da arquitetura rural das pequenas capelas portuguesas.

A sua imagem exterior é marcada pela simplicidade da fachada branca, apenas interrompida pela sineira lateral. O elemento mais característico é o vasto alpendre quadrangular, cuja cobertura assenta em robustos cunhais de pedra e em duas colunas toscanas em cada face.

As colunas apoiam-se no murete que envolve o alpendre e delimitam os três acessos ao espaço. O alpendre tinha uma função importante no acolhimento dos romeiros que afluíam à ermida.

A porta da frontaria, ladeada por dois postigos, constitui outro elemento característico. Estes permitiam assistir aos serviços religiosos a partir do exterior. Em 1740, os postigos foram envolvidos por azulejos barrocos.

A empena da frontaria, de perfil arqueado e delimitada por dois fogaréus sobre os cunhais, bem como a janela central e a sineira do lado esquerdo, apresentam características atribuídas a intervenções da segunda metade do século XVIII.

Em 1918 foi colocado em frente desta porta o interessante cruzeiro de pedra, com um rudimentar Cristo esculpido, proveniente do Sítio dos Moinhos, na estrada de Porto Salvo para Oeiras, que recentemente foi deslocado para o adro da Ermida. Tem a data de 1759, gravada no pedestal, e apresenta no pé da cruz a legenda:


SNOR  JEZUS
REI DOS  REIS
SNOR  DA  BO
A  SENTENSA

Cruzeiro de pedra com um rudimentar Cristo esculpido.
Fotografia: @franciscabrancoveiga

ERMIDA DE NOSSA SENHORA De PORTO SALVO vista do Lado do terreiro, tendo contíguas as três casas de hospedaria, construídas a partir de 1679.
Fotografia: @franciscabrancoveiga

O enriquecimento do interior

Capela de Nossa Senhora de Porto Salvo, Oeiras (interior)
Fotografia: @franciscabrancoveiga

A simplicidade exterior da capela contrasta com a riqueza decorativa que foi adquirindo no interior.

O segundo grande momento da história do edifício ocorre durante o segundo quartel do século XVIII, quando o interior e o enquadramento da porta principal foram decorados segundo uma linguagem barroca e de Regência.

Os azulejos barrocos e a talha dourada constituem elementos fundamentais desta transformação, realizados por alguns dos melhores artistas da capital.

A decoração interior veio, assim, alterar profundamente a imagem do edifício construído no século XVII, sem eliminar, contudo, a sua matriz arquitetónica rural.

Passeio da Sagrada Família (José, Maria e o Menino)
Fotografia: @franciscabrancoveiga

A capela e a paisagem de Porto Salvo

Até ao século XIX, a ermida era saudada com salvas de 21 tiros pelos barcos que demandavam o Tejo, reforçando a relação entre o templo e a navegação.

As fotografias históricas permitem ainda observar a relação da capela com o espaço envolvente. Junto ao edifício encontravam-se a torre sineira, a casa mortuária e as casas destinadas aos romeiros. Existiam também três casas de hospedaria, construídas a partir de 1679.

Este conjunto ajuda a compreender a importância da ermida enquanto lugar de romaria.

A paisagem envolvente era profundamente marcada pela ruralidade, realidade que se foi alterando ao longo do século XX com a transformação urbana do território de Porto Salvo.

Entre o século XVII e o século XVIII

Fotografia: @franciscabrancoveiga

A história arquitetónica da Capela de Nossa Senhora de Porto Salvo pode ser entendida a partir de dois grandes momentos.

O primeiro corresponde à construção do atual edifício, iniciada em 1670, depois da demolição da pequena ermida quinhentista. Foi uma construção realizada progressivamente, com intervenções que se prolongaram até às primeiras décadas do século XVIII.

O segundo corresponde ao enriquecimento decorativo realizado sobretudo durante o segundo quartel do século XVIII, quando os interiores receberam azulejos barrocos e talha dourada de estilo Regência e a entrada principal foi igualmente valorizada.

O terramoto de 1755 terá afetado pouco o edifício e as intervenções posteriores terão sido de menor significado. Pelo contrário, algumas remodelações realizadas em meados e finais do século XX alteraram determinados elementos da construção.

A atual Capela de Nossa Senhora de Porto Salvo resulta, assim, da sobreposição destes diferentes momentos. A arquitetura rural do edifício seiscentista permanece visível sobretudo no alpendre e na simplicidade da construção, enquanto o interior testemunha o enriquecimento artístico alcançado durante o século XVIII.

Hoje, integrada numa realidade territorial muito diferente daquela que conheceu durante os séculos XVII e XVIII, a capela mantém ainda a memória do antigo lugar de Caspolima e da devoção a Nossa Senhora de Porto Salvo, ligada durante séculos aos romeiros e aos homens do mar.

Fotografia: @franciscabrancoveiga

Uma invocação que também deu nome a um forte

Forte da Giribita ou de Nossa Senhora de Porto Salvo, em Paço de Arcos.
Data: Postal manuscrito com data de 1919.
Serviço de Arquivo Municipal, Coleção Rogério Gonçalves, 02, n.º 000056.

Hoje: Vista lateral esquerda e fachada.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_Nossa_Senhora_de_Porto_Salvo#/media/Ficheiro:F_n_s_porto_salvo_11.jpg

A importância da invocação de Nossa Senhora de Porto Salvo na paisagem de Oeiras encontra ainda expressão num outro monumento: o Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo, também conhecido como Forte da Giribita ou Forte da Ponta do Guincho.

A relação entre os dois edifícios é particularmente interessante. Segundo o registo do Sistema de Informação para o Património Arquitetónico (SIPA), o forte era inicialmente designado Bateria do Guincho, tendo mais tarde adotado a denominação de Nossa Senhora de Porto Salvo devido à proximidade da povoação e à existência, naquele local, da ermida com esta invocação.

Em 1649, no contexto da Guerra da Restauração, o forte foi reconstruído por iniciativa de D. António Luís de Menezes, conde de Cantanhede, membro do Conselho de Estado e do Conselho de Guerra de D. João IV. A fortificação foi então dotada de quatro peças de artilharia. A data de 1649 encontra-se igualmente registada na inscrição existente sobre o Portão de Armas.

A proximidade entre a fortificação e a ermida permite perceber como a invocação de Nossa Senhora de Porto Salvo se encontrava já suficientemente associada ao território para ser utilizada na designação de uma estrutura militar destinada à defesa da barra do Tejo.

Importa, contudo, não confundir os dois monumentos. A capela é um espaço de culto e de peregrinação; o forte é uma estrutura militar integrada no sistema defensivo da barra do Tejo. A relação entre ambos reside na própria designação e na proximidade territorial, constituindo mais um testemunho da presença desta invocação na paisagem histórica de Oeiras.

O Forte de Nossa Senhora de Porto Salvo apresenta planta pentagonal irregular, adaptada ao terreno, e conserva o Portão de Armas com a inscrição de 1649, duas guaritas e seis canhoneiras voltadas para o lado do mar.

A existência deste forte acrescenta, assim, uma outra dimensão à história de Nossa Senhora de Porto Salvo: para além da devoção religiosa e da relação tradicional com os homens do mar, a mesma invocação ficou inscrita na própria paisagem militar da margem direita do Tejo.

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VEIGA, Francisca Branco (2021), A Capela de Nossa Senhora de Porto Salvo, em Oeiras: arquitetura rural (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [15 de Setembro de 2026].

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Apresentação do livro “Nossa Senhora da Rocha e a Companhia de Jesus: Política, Devoção e Tradição (1822–1834)”

O Palácio Nacional de Queluz recebe Francisca Branco Veiga e José Manuel Subtil para o lançamento do livro Nossa Senhora da Rocha e a Companhia de Jesus: Política, Devoção e Tradição (1822–1834)

No próximo dia 27 de novembro, pelas 19h00, o Palácio Nacional de Queluz acolhe a sessão de lançamento do livro Nossa Senhora da Rocha e a Companhia de Jesus: Política, Devoção e Tradição (1822–1834), de Francisca Branco Veiga e José Subtil.

O livro conta ainda com um excelente posfácio da historiadora Teresa Mónica, que enriquece e aprofunda a reflexão sobre este período singular da história de Portugal.

A obra apresenta uma análise aprofundada das complexas tensões políticas e religiosas que marcaram Portugal no início do século XIX. No primeiro capítulo, o Doutor José Manuel Subtil contextualiza essas crises, desde as invasões francesas até às regências e revoluções que moldaram o panorama político da época. Já nos segundo e terceiro capítulos, da autoria da Doutora Francisca Branco Veiga, é explorado o papel central do culto mariano de Nossa Senhora da Rocha, evidenciando-o como símbolo de poder político e espiritual, associado ao miguelismo e à influência da Companhia de Jesus.

Baseado em documentação inédita, este livro convida o leitor a revisitar um período crucial da história portuguesa, revelando como fé, política e tradição se entrelaçaram durante o reinado de D. Miguel. A devoção a Nossa Senhora da Rocha surge, assim, como expressão de resistência e afirmação da identidade nacional, com ecos que perduram até aos nossos dias.

🌿 Uma oportunidade única para descobrir como devoção e identidade nacional se entrelaçaram na construção da história de Portugal, num cenário inspirador como o Palácio Nacional de Queluz.

A sessão contará com a abertura e boas-vindas do Doutor António Nunes Pereira, Diretor dos Palácios de Sintra, e com a participação dos autores, a Doutora Francisca Branco Veiga e o Doutor José Manuel Subtil.

Um agradecimento especial ao Doutor Hugo Xavier, Conservador do Palácio Nacional de Queluz, pelo acolhimento deste evento.

Detalhe artístico

A capa do livro e os separadores dos capítulos são da autoria da ilustradora e designer Rita Machado (https://ameliemoncherie.com/) , cuja criação reflete a sensibilidade histórica e simbólica da obra.

🤍 Esperamos por si nesta celebração da história, fé e cultura!

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Sobre o Palácio Nacional de Queluz

O Palácio Nacional de Queluz, atualmente sob a gestão da Parques de Sintra – Monte da Lua desde 2012, integra-se no conjunto dos mais relevantes monumentos históricos da esfera nacional. A sua construção teve início em 1747, inicialmente concebido como retiro de verão para o então futuro D. Pedro III. Posteriormente, o palácio transformou-se em residência habitual da família real portuguesa, sendo palco de significativos acontecimentos políticos e culturais.

Destaca-se, neste contexto, a permanência de D. João VI e do seu núcleo familiar antes da emigração para o Brasil, tendo a residência igualmente acolhido figuras de relevo, nomeadamente a rainha Carlota Joaquina e seu filho, D. Miguel. O edifício é reconhecido como um dos melhores exemplares da arquitetura rococó em Portugal e na Europa, integrando também elementos devidamente tipificados como barrocos e neoclássicos.

O Palácio Nacional de Queluz mantém-se, atualmente, como referência incontornável na preservação, estudo e divulgação do património histórico português. Foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e, após ter sofrido um severo incêndio em 1934, foi exaustivamente restaurado, tendo sido aberto ao público como museu em 1940.

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Francisca Branco Veiga e José Manuel Subtil, Nossa Senhora da Rocha e a Companhia de Jesus: Política, Devoção e Tradição (1822–1834). Ed. Autor, 2025.

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Marcos e Curiosidades do Forte de São Julião da Barra, em Oeiras

Planta do Forte de São Julião da Barra
Século XVI (A.)

O Forte de São Julião da Barra, localizado em Oeiras, é uma das mais emblemáticas fortificações costeiras de Portugal, com uma rica história que atravessa séculos e reflete momentos cruciais da política, religião e defesa do país. Inicialmente construído para proteger a entrada do rio Tejo e salvaguardar a cidade de Lisboa de ameaças marítimas, o forte tornou-se, ao longo do tempo, muito mais do que um bastião militar. Palco de episódios marcantes, como a prisão de jesuítas durante as reformas do Marquês de Pombal e a execução do general Gomes Freire de Andrade em 1817, a fortaleza também foi cenário de tensão e transformação política, testemunhando mudanças ideológicas e sociais que moldaram o destino da nação.

Além do seu papel estratégico, o Forte de São Julião da Barra está repleto de curiosidades e detalhes históricos, como a sua relação simbólica com a Torre do Bugio e os relatos de antigos prisioneiros que vivenciaram o isolamento nas suas muralhas. Cada elemento do forte, desde as suas imponentes torres até os subterrâneos que outrora serviram de cárcere, carrega histórias que ilustram a importância deste monumento como um verdadeiro guardião da memória coletiva portuguesa.

Em setembro de 1758, todas as casas da Companhia em Lisboa foram cercadas pela tropa. Eram sete: a casa professa de S. Roque, fundada durante o governo de S. Francisco de Borja, 3.° Geral da Companhia; o colégio de Santo Antão; o colégio de S. Francisco Xavier; a casa do Noviciado da Cotovia, assim chamada devido ao nome da colina em que se encontrava situada, que foi depois colégio dos Nobres; o seminário irlandês de S. Patrício; a residência de S. Francisco de Borja, Procuradoria das províncias ultramarinas; e o noviciado de vocações para as missões de Goa, Japão e China, vulgarmente chamado de Arroios.

A 3 de Setembro de 1759 foi promulgada a “Lei dada para a proscrição, desnaturalização e expulsão dos regulares da Companhia de Jesus, nestes reinos e seus domínios”.  Simbolicamente decretada um ano após a tentativa de regicídio, a expulsão oficial dos jesuítas de Portugal culminou no embarque de cerca de 1100 membros da Companhia de Jesus na zona de Belém. Dali, partiram em direção aos Estados Pontifícios, encerrando um capítulo marcante de perseguição religiosa e política no país.

Alegoria à expulsão dos jesuítas
Autor Desconhecido; c. 1759; Museu da Cidade
A interpretação alegórica desta aguarela é evidenciada pelos elementos iconográficos que acompanham a figura central do padre jesuíta. A tocha acesa que inflama o globo terrestre, junto à mitra papal e à coroa real, simboliza a suposta afronta da Companhia de Jesus ao poder eclesiástico e ao poder monárquico. O livro fechado aos seus pés representa a interdição das atividades educativas da Ordem em Portugal, enquanto o saco de moedas de ouro alude aos bens da Companhia que foram confiscados pelo Estado. No fundo da composição, uma nau afastando-se ao largo simboliza a lei de 3 de setembro de 1759, que decretou a expulsão dos jesuítas do reino. Sobre a cena, um céu tormentoso lança um raio que atinge o rosto do clérigo, sublinhando a punição divina ou política atribuída à sua figura.

Em janeiro deu-se a prisão de dez dos principais membros da Companhia de Jesus. Entre eles estavam o Padre João Henriques, Provincial da Companhia de Jesus em Portugal; o Padre Gabriel Malagrida, missionário apostólico; o Padre José Moreira, confessor do Rei e da Rainha; o Padre Timóteo de Oliveira, confessor do Príncipe do Brasil e da Duquesa de Bragança; o Padre Jacinto da Costa, diretor espiritual do príncipe D. Pedro; o Padre Francisco Duarte, historiador da Província Portuguesa; o Padre Inácio Soares, professor de teologia no Colégio das Artes de Coimbra; o Padre João Alexandre, Procurador Geral da Província do Malabar; o Padre João de Matos, Procurador da Casa Professa; e o Padre José Perdigão, Procurador da Província Portuguesa. Estas prisões, feitas sob a acusação de graves crimes, perpetuaram-se na história como um dos momentos mais sombrios para a Companhia de Jesus em Portugal.

FORTE DE SÃO JULIÃO DA BARRA 1759

O nome do Forte de São Julião da Barra é frequentemente abreviado pelo povo para “São Gião”, uma forma mais popular e informal. A festividade em honra deste santo, que foi martirizado em Antioquia sob os imperadores Diocleciano e Maximiano, ocorre a 9 de janeiro. Nas correspondências dirigidas a esta fortaleza, é comum utilizar as designações “Torre” ou “Barra de São Gião”. A origem do nome remonta à imponente torre que integra o forte, onde, todas as noites, se acende um farol equipado com 25 luzes, servindo como guia para as naus que se aproximam da entrada do Tejo.

Planta dos cárceres de S. Julião da Barra, desenhada pelo P. Lourenço Kaulen.
Aqui chegou o P. Eckart em 1762 e ficou até março de l777. Anselmo Eckart, Memórias de um Jesuíta Prisioneiro de Pombal. Braga: Livraria A. I., 1987, p. 176ª; Do original autografo do P. Kaulen Relação de algumas cousas que succederão aos religiosos da Companhia de Jesus…, p. 15 B.

O período de detenção do padre jesuíta Anselmo Eckart na Torre de São Julião da Barra, entre 1762 e março de 1777, fornece um valioso testemunho sobre a vida e as características das fortalezas que protegiam a entrada do Tejo no século XVIII. As suas Memórias de um Jesuíta Prisioneiro de Pombal não só relatam a experiência pessoal de um religioso em tempos de perseguição, mas também oferecem um olhar detalhado sobre a organização militar e simbólica destas estruturas, como a Torre de São Lourenço, mais conhecida como Torre do Bugio.

O padre jesuíta Anselmo Eckart chegou à Torre de S. Julião em 1762 e ficou até Março de l777. Refere este em Memórias de um Jesuíta Prisioneiro de Pombal:

«Esta torre enfrenta uma outra que sobressai no meio do mar, chamada vulgarmente Torre do Bugio, ou do macaco por ser uma imitação da fortaleza de S. Julião. Macaco de imitação também, porque quando o forte de S. Julião dispara uma peça de artilharia logo a Torre do Bugio responde com outro tiro. É esta Torre dedicada a S. Lourenço, e celebra-lhe o dia da comemoração como sua festa principal. Está munida de doze grandes canhões a que vulgarmente chamam os doze Apóstolos. A guarnição é feita por soldados de S. Julião, que se rendem todos os meses»[1] .

Forte de São Lourenço do Bugio, também conhecido como Forte de São Lourenço da Cabeça Seca ou simplesmente Torre do Bugio.
Bugio visto do Forte de São Julião da Barra.

Fotografia @franciscabrancoveiga

O relato de Eckart destaca a relação simbólica e operacional entre o Forte de São Julião e a Torre do Bugio, refletindo o rigor defensivo e o valor estratégico destas edificações. A descrição minuciosa das tradições associadas às fortalezas, como a celebração do dia de São Lourenço e o uso dos “Doze Apóstolos”, revela não apenas a dimensão militar, mas também a interseção entre devoção religiosa e vida quotidiana na guarnição. Este testemunho constitui uma fonte histórica rica, ilustrando a realidade das fortificações costeiras portuguesas numa época de desafios internos e externos.

Segundo Eckart os jesuítas «foram conduzidos para a Torre de S. Julião, onde os sepultaram vivos nos subterrâneos que Pombal mandara cavar»[1].

FORTE DE SÃO JULIÃO DA BARRA 1817

Em maio de 1817, implicado e acusado de liderar uma conspiração, Gomes Freire de Andrade (Viena, 27 de janeiro de 1757 – Oeiras, Oeiras e São Julião da Barra, Forte de São Julião da Barra, 18 de outubro de 1817) foi detido, preso, tratado como um criminoso, condenado à morte e enforcado (embora tenha pedido para ser fuzilado), na manhã de 18 de outubro, no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, por crime de traição à Pátria. As suas cinzas foram lançadas ao mar.

Execução de Gomes Freire de Andrade

Com a expulsão dos franceses e a queda de Napoleão, a família real portuguesa permanecia no Brasil, enquanto os ingleses continuavam a exercer um domínio quase colonial sobre Portugal. Este controle humilhava os verdadeiros patriotas, que viam o país subordinado aos interesses britânicos. O descontentamento era generalizado: o povo revoltava-se porque grande parte dos rendimentos nacionais era enviada para o Rio de Janeiro, enquanto as classes mais instruídas ansiavam por mudanças, inspiradas pelas ideias liberais que já se espalhavam pela Europa. Um clima de impaciência e fervor revolucionário tomava conta dos corações patrióticos.

Neste cenário, Gomes Freire de Andrade, suspeito de conspirar contra o domínio britânico e o absolutismo monárquico, foi preso, junto a outros companheiros, em 25 de maio de 1817. Após um julgamento marcado por graves irregularidades e injustiças, o corajoso general foi condenado à morte. A sentença foi divulgada apenas dois dias após a sua execução, evidenciando o ódio de Beresford, que, numa última humilhação, negou a Gomes Freire um fuzilamento honrado, digno de um soldado, e ordenou que ele fosse enforcado, como se fosse um criminoso vulgar.

A execução ocorreu às 9 horas da manhã de 18 de outubro de 1817. O cenário era tanto trágico quanto emblemático: Gomes Freire, sereno e altivo, vestia uma alva, mantendo a compostura apesar do frio e das pedras que feriam os seus pés. A expressão cruel do carrasco contrastava com a dignidade do general. Após o enforcamento, o corpo de Gomes Freire foi incinerado numa pira de lenha, e os seus restos mortais, em um ato de desrespeito final, foram lançados ao mar. Este episódio ficou gravado na história como um dos mais sombrios atos de repressão contra os ideais de liberdade e justiça em Portugal.

Roque Gameiro, de parceria com Alberto de Sousa, participou na ilustração dos Quadros da História de Portugaleditada em 1917. 

Em memória de Gomes Freire de Andrade, executado em 1817, uma lápide e um silhar de azulejos com a sua efígie foram colocados sobre a porta da torre do Forte de S. Julião.

Fotografia @franciscabrancoveiga
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Fotografia @franciscabrancoveiga
Fotografia @franciscabrancoveiga
Fotografia @franciscabrancoveiga
Quarto/prisão onde esteve Gomes Freire de Andrade
Fotografia @franciscabrancoveiga
Quarto/prisão onde esteve Gomes Freire de Andrade
Fotografia @franciscabrancoveiga

FORTE DE SÃO JULIÃO DA BARRA 1834

Pela Portaria de 24 de maio de 1834, dirigida ao Corregedor de Coimbra, quatro dias antes da publicação do Decreto da extinção das Ordens religiosas, determinava Joaquim António de Aguiar que «d’ella saiam [os Jesuítas] immediatamente, dando-lhes itinerário», e no prazo mais curto possível se apresentassem na secretaria de estado, onde se providenciaria os meios para o seu embarque com destino ao exílio[2]. Tinha a Companhia de Jesus honras de perseguição em decreto especial.

Os Padres Jesuítas, que se encontravam em Coimbra e seguiam em direção a Lisboa, foram encaminhados para a Torre de São Julião da Barra, onde chegaram no dia 6 de junho do ano corrente. A decisão visava mantê-los sob custódia, protegendo-os de possíveis ataques populares, já que o clima ainda era tenso devido às recentes vitórias obtidas contra o Exército Miguelista.

Carta em Francês, que a bordo do navio e no dia da partida (7 de julho de 1834) dirigiu por despedida ao governador do Foret de S. Julião da Barra o P. Mallet, Superior da Missão portuguesa da Companhia de Jesus.

«A bordo em 7 de julho de 1834

Senhor Governador Chegou o dia em que devemos deixar este país agradável, onde não existem nem as prisões que não tenham os seus atrativos! Dentro de algumas horas voltaremos a ver, provavelmente nunca mais as veremos, as muralhas do Forte de S. Julião, […] Em nome de todos os meus colegas tenho a honra de estar, com a maior estima e eterna gratidão»[3].

In summa, o Forte de São Julião da Barra simboliza um espaço de grande significado histórico e político, servindo como palco de eventos marcantes que refletem as tensões e transformações de Portugal ao longo dos séculos. Desde a expulsão dos Jesuítas em 1759, uma medida que consolidou a autoridade do Marquês de Pombal e reafirmou o poder do Estado sobre a Igreja, até a execução de Gomes Freire de Andrade em 1817, um marco trágico da luta entre absolutismo e liberalismo, este forte tem sido testemunha silenciosa de perseguições e mudanças ideológicas.

A sua função como prisão e fortaleza militar, associada ao controle e à repressão, também se entrelaça com um simbolismo de resistência e memória, perpetuado por documentos, relatos e até homenagens póstumas, como a lápide dedicada a Gomes Freire.

Assim, o Forte de São Julião da Barra permanece não apenas como uma estrutura defensiva à entrada do Tejo, mas como um marco da história portuguesa, carregando em suas paredes os ecos das disputas políticas, das perseguições religiosas e dos anseios por liberdade e justiça.

XXXXXXXX

(A.) – CARITA, Rui; Cardoso, António Homem, O Escudo do Reino: A Fortaleza de S. Julião da Barra, Ministério da Defesa Nacional, 2007.

[1] In Anselmo Eckart, Memórias de um Jesuíta Prisioneiro de Pombal. Braga: Livraria A. I., 1987, pp. 183; 104.

[2] Portaria de 24 de maio de 1834, dirigida ao Corregedor de Coimbra, para proceder à imediata expulsão dos Jesuítas. ARQUIVO UNIVERSIDADE DE COIMBRA (AUC), Colégio das Artes, Relações de Livros existentes em antigo Cartório – tombos de bens, privilégios e doações do Património antigo e novo (dos extintos colégios da Companhia de Jesus). Inventário de Bulas, Alvarás, sentenças e outros títulos com remissão para as gavetas do Cartório, [Manuscrito].V. cx.; SILVA, Antonio Delgado da – Collecção da legislação Portugueza desde a ultima compilação das ordenações: Legislação de 1833 a 1834, vol. VIII, anno de 1834. Lisboa: Typ. Maigrense, 1835, p. 438; Chronica Constitucional de Lisboa, nº 124, de 27 de maio de 1834.

[3] Produções dos Padres Jesuitas durante o tempo q estivérao na Torre de Saõ Julião da Barra, anno 1834.

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VEIGA, Francisca Branco, Marcos e Curiosidades do Forte de São Julião da Barra, em Oeiras (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [02 de Dezembro de 2024].

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Convento da Cartuxa, Laveiras (Oeiras)

No passado sábado, dia 10 de abril, participei numa visita à Quinta da Cartuxa, antes do início dos trabalhos que irão iniciar-se em breve. O Município de Oeiras formalizou, no passado dia 17 de fevereiro, a transferência da posse da Quinta da Cartuxa para o Município, após anos de tentativas e negociações com o Estado.

Aqui vos deixo uma nótula brévis da história do espaço conventual e a minha reportagem fotográfica do estado em que se encontra o espaço neste momento, esperando que melhores dia virão!

D. Simôa Godinha, filha de um dos primeiros colonos de S. Tomé e Príncipe, casada com o fidalgo D. Luis de Almeida, morre em Lisboa em 1594, deixando à Santa Casa da Misericórdia a sua herança. Entre outros bens, deixa uma quinta em Laveiras para a fundação de um convento. A partir do início do século XVII a Ordem cartusiana, passaria a dispôr de uma segunda casa em Portugal (a primeira foi em Évora), em Laveiras, concelho de Oeiras.

A Cartuxa de Laveiras também será conhecida como Cartuxa de Santa Maria do Vale da Misericórdia (“Sanctae Mariae Vallis Misericordiae”), Cartuxa de Nossa Senhora do Vale da Misericórdia, Cartuxa de Lisboa e Mosteiro de São Bruno.

Estudo para o Panorama de Lisboa, Domingos Sequeira. Em primeiro plano vê-se a ponte sobre a ribeira de Barcarena (dos Ossos) e a igreja da Cartuxa de Laveiras, seguidos da Quinta Real de Caxias. Em segundo plano, uma grande quantidade de navios e barcos sobem o Tejo sobre o cenário da Trafaria e do Cachopo sul ou Alpeidão. Ao fundo, na linha de horizonte, distingue-se o Cabo Espichel. In Revista Municipal, 4º Trimentre, 1941, pp. 14-18.

A vida da Ordem Cartusiana  assentava em princípios que impunham a solidão e o silêncio continuado, o jejum, a abstinência de carne, a clausura perpétua, o uso constante do cilício e a oração durante a maior parte do dia e da noite. Estes princípios eram seguidos com rigor. Os padres comunicavam entre si uma vez por semana passando a maior parte da jornada em clausura nas suas celas, onde rezavam, estudavam e tomavam as refeições, deslocando-se diariamente apenas à igreja e semanalmente ao refeitório. Assim, a cela de um monge cartuxo era constituída por mais do que um compartimento: ela continha em geral entre quatro a seis divisões, podendo ser considerada uma célula residencial autossuficiente com, no mínimo, um quarto, escritório, capela e jardim individual.

Revista Municipal, 4º Trimentre, 1941, pp. 14-18.

Estas celas formavam um módulo que se repetia em redor de um claustro principal de dimensão invulgarmente grande. O claustro, chamado “grande” ou “maior”, erguia-se tipicamente por trás da igreja. Nos flancos do templo, dispunham-se em geral outros claustros menores, que serviam outros compartimentos – o refeitório dos irmãos leigos, o dormitório destes, a sala capitular, a sacristia. A igreja é, em geral, de pequena dimensão, por servir uma comunidade relativamente reduzida e porque a assistência de público é pouco importante. A este era destinada a primeira parte da nave, junto ao acesso do adro; numa faixa intermédia ficavam os irmãos, e junto ao altar, de área mais generosa, os padres.

Em 1833, com a extinção das Ordens Religiosas pelo regime liberal, os monges da Cartuxa de Laveiras puseram-se em fuga, abandonando a clausura e seguindo a pé pelo país em busca de porto seguro. Na minha tese de doutoramento escrevi o seguinte sobre este momento:

«Com a entrada do exército do Duque da Terceira em Lisboa, os monges da Cartuxa de Laveiras, que ajudaram os missionários jesuítas no contacto com o povo, decidem abandonar o mosteiro e juntar-se ao Cortejo do Tesouro Real de Queluz, aos «Paisanos, Mulheres, Crianças, Frades»[1], e rumaram a Coimbra onde se encontrava a Corte. Pelo caminho encontraram já em debandada os franciscanos do Varatojo, os cistercienses de Alcobaça e os arrábidos de Mafra[2]». [3]

Já a Cartuxa de Évora fechou no ano seguinte, em 1834, após o fecho compulsivo e a expulsão dos monges da congregação.

Pelo convento da Cartuxa de Laveiras passou o pintor português Domingos Sequeira, que ingressou em 1796 e aí permaneceu até 1802.

No seu recolhimento pintou uma série de cinco telas de grande dimensão com passos da vida de S. Bruno (fundador e patrono dos Cartuxos) e de outros santos eremitas (Santo Onofre, S. Paulo e Santo Antão). O conjunto encontra-se disperso: «A conversão de S. Bruno», no Museu Nacional Soares dos Reis, «São Bruno em oração» e «Comunhão de Santo Onofre», ambos do Museu Nacional de Arte Antiga, e ainda «S. Paulo com Santo Antão no deserto». 

Telas com temática cartuxa da Igreja lisboeta de Santa Cruz do Castelo. Representam um bispo com o hábito cartuxo e sete mártires da perseguição levada a efeito pela reforma de Henrique VIII, todos com o hábito da Ordem. Seria um grupo de telas idêntico a este que se encontraria na Cartuxa de Laveiras. In Documento para a fundamentação da proposta de classificação de bens culturais relativo ao interesse histórico da igreja e mosteiro da Cartuxa (Documento da Direção-Geral do Património Cultural, Departamento dos Bens Culturais, Divisão do Património imóvel, móvel e imaterial.

Domingos Sequeira foi nomeado pintor da corte em 1802 e codiretor da empreitada de pintura do Palácio da Ajuda.

Domingos António de Sequeira.
(Lisboa, 10 de Março de 1768 – Roma, 8 de Março de 1837)

 

Autor    Domingos Sequeira
Data      1799-1800
Técnica               Pintura a óleo sobre tela
Dimensões         132 cm  × 192 cm
Localização        Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

São Bruno em oração é uma pintura a óleo sobre tela pintada por Domingos Sequeira em 1799-1800, obra que decorou inicialmente o Convento da Cartuxa (Caxias), perto de Oeiras, tendo posteriormente sido transferida para o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

Descrição da pintura: São Bruno encontra-se prostrado em oração no interior de uma gruta, lugar apropriado para a oração, tendo à sua frente um livro de orações aberto, e ao seu lado um crucifixo assente sobre dois livros fechados, uma caveira e uma lâmpada acesa. Ao fundo vê-se uma bilha e uma tigela.

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[1] COSTA, Francisco de Paula Ferreira da – Memórias de um miguelista: 1833-1834, p. 24.

[2]GOMES, J. Pinharanda A Ordem da Cartuxa em Portugal: Ensaio da Monografia Histórica, pref. dos Cartuxos de Scala Coeli. Salzburg: Institut für Anglistik und Amerikanistik, 2004, pp. 172-175.

[3] VEIGA, Francisca Branco – A Restauração da Companhia de Jesus em Portugal 1828-1834: O breve regresso no reinado de D. Miguel. Tese elaborada para obtenção do grau de Doutor em História, na especialidade de História Contemporânea, 2019.

VISITA GUIADA 10 ABR 2021

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VEIGA, Francisca Branco (2021), Convento da Cartuxa, Laveiras, Oeiras (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [16 de Abril de 2021].

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