O momento da partida de São Francisco Xavier ficou gravado na obra da autoria de José Pinhão de Matos, intitulada: PANORAMA DE LISBOA E PARTIDA DE SÃO FRANCISCO XAVIER PARA A ÍNDIA.
Esta pintura representa a vista panorâmica de Lisboa na segunda metade do século XVII, e vai do Terreiro do Trigo a Este, até à Cruz Quebrada ( já fora dos limites da cidade ) a Oeste, passando pela Rocha do Conde de Óbidos e Belém, onde se destaca o Mosteiro dos Jerónimos e a Torre de Belém, enquanto que, para o interior, ainda se consegue visualizar o Paço da Alcáçova, a Sé e São Vicente de Fora e a Oeste uma conjunto de conventos.
São reproduzidos detalhadamente toda a zona ribeirinha e mais precisamente o mercado da Ribeira Velha, a Casa da Índia e o Terreiro do Paço devido à perspetiva vinda do rio Tejo, que se encontra cheio de caravelas e naus nacionais e Estrangeiras.
A esta vista deLisboa no século XVII, é acrescida a partida para Goa de São Francisco Xavier corrido em abril de 1541. O pintor pinta os diversos momentos do acontecimento: a saída do Santo para a passarela que dá acesso ao Rio, o embarque na galeota e o trajeto desta que se dirige para a nau da armada da Índia.
Na parte superior da composição, está representada a cena de despedida de Francisco de Xavier ao rei D. João III, envolta por grinaldas suspensas por dois anjos. Um terceiro anjo, no ângulo superior esquerdo desenrola um pergaminho onde se pode ler: “Acceptis a Joane III / pontificis literis / nuntius apostolicus / in Indiam solvit / Santus Francisco Xavierius. /” -Depois de ter recebido as cartas pontifícias das mãos de D. João III, o Núncio apostólico São Francisco Xavier parte para a Índia.
No dia 7 de Abril de 1540, saia a primeira expedição jesuíta de Lisboa para a Índia e Extremo Oriente, chefiada por Francisco Xavier (que fazia nesse dia 35 anos), na nau Santiago, iniciando, assim, os 200 anos de missionação que se seguiriam para essa direção e outras (em 1549, para o Ocidente (Brasil), com o P. Manuel da Nóbrega). Com ele seguiram Micer Paulo (ou Paulo Camerte), Francisco Mansilhas e Diogo Rodrigues (noviço).
A pintura abaixo encontrava-se no noviciado jesuítico da Cotovia (atual MNHNC) e hoje no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa.
D. João III e o núncio apostólico da Índia, ou A partida de São Francisco Xavier em 1541, José Pinhão de Mattos, c. 1730. MNAA
É completada com a Vista de Goa, pintura que se encontra igualmente no Museu Nacional Arte Antiga.
Vista de Goa, José Pinhão de Matos MNAA
A Vista da Cidade de Goa, também conhecida como A Chegada de São Francisco Xavier à Capital do Estado da Índia (incluída no seu medalhão), foi pintado para o Colégio da Cotovia, e é obra da autoria de José Pinhão de Matos e de seu filho, em associação.
Fachada do edifício do Noviciado da Cotovia, da Companhia de Jesus Archivo pittoresco : semanario illustrado, 1863
In VEIGA, Francisca Branco – “Noviciado da Cotovia: O passado dos Museus da Politécnica 1619-1759” [texto policopiado]. Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em Património Cultural. Lisboa: Universidade Católica Portuguesa, 2009.
A 12 de outubro de 1798 nasce D. Pedro IV, rei de Portugal e primeiro Imperador do Brasil.
Filho varão de D. João VI e de D. Carlota Joaquina, nasceu no palácio de Queluz, em 12 de outubro de 1798 e completaria hoje, dia 12 de outubro de 2020, 222 anos.
Após a invasão das tropas francesas a Portugal em 1807, o infante D. Pedro embarcou com a família real para o Brasil.
Com a morte de seu pai D. João VI, em 1826, D. Pedro é designado rei de Portugal pela regente, sua irmã, D. Isabel Maria e outorga aos portugueses a Carta Constitucional de 1826.
Rei de Portugal e Algarves como Pedro IV entre março e maio de 1826, abdica em sua filha D. Maria da Glória mediante duas condições: o casamento da rainha com o seu tio D. Miguel e o juramento da Carta Constitucional.
Foi o primeiro Imperador do Brasil, como Pedro I de 7 de setembro de 1822 até sua abdicação em 1831, em benefício do seu filho, futuro Pedro II.
Incapaz de lidar com os problemas do Brasil e de Portugal ao mesmo tempo, no dia 7 de abril de 1831 foi forçado a abdicar da coroa brasileira em favor do seu filho. Viaja para a Europa para defender o direito ao trono português por parte de sua filha, a Infanta D. Maria da Glória, lutando contra seu irmão D. Miguel. D. Pedro parte do Rio de Janeiro para a Europa no dia 13 de abril, acompanhado de sua filha, chegando no dia 12 de junho a Clermont, na França.
Após conseguir os apoios financeiros necessários e organizar os liberais imigrados, chega aos Açores em 1832, onde assume a regência na qualidade de duque de Bragança, e aí prepara a expedição militar que colocará a sua filha no trono de Portugal.
No dia 7 de julho de 1832 avista-se na costa portuguesa a esquadra liberal, desembarcando D. Pedro com o seu exército no Mindelo no dia 8 e entrando no Porto no dia seguinte, dando início ao Cerco do Porto.
O cerco do Porto durou um ano – de julho de 1832 a agosto de 1833 – no qual as tropas liberais de D. Pedro estiveram sitiadas pelas forças realistas fiéis a D. Miguel.
Após brilhante vitória em Cacilhas, Lisboa foi entregue ao comandante-chefe liberal, marechal Duque da Terceira, sem combate nem resistência, pelo Duque de Cadaval, em 24 de julho de 1833.
D. Pedro, após um violento ataque absolutista ao Porto, embarca para a capital, fazendo a sua entrada no Tejo a bordo do vapor William the Fourth no dia 28 de julho .
As Cortes de agosto de 1834 confirmam a regência de D. Pedro, que morre no mês seguinte, a 24 de setembro, no mesmo local onde nasceu, quatro dias após o início do reinado de D. Maria II (com apenas quinze anos de idade).
Quarto onde nasceu e morreu o rei D. Pedro IV (I Imperador do Brasil) Palácio de Queluz Ferdinand Le Feubure (Munique, 1815- Munique, 1898) 1850
Infante D. Pedro de Alcântara Parte de um Estudo para retrato da Família Real Portugal, c. 1798-99 MNAA
Estudo para retrato da Família Real Domingos António de Sequeira Portugal, c. 1798-99 Desenho a lápis sobre papel 13,7*17cm Assinado: “Sequeira fez” MNAA
Neste estudo estão identificados seis membros da Família Real: o Príncipe regente D. João, a sua mulher D. Carlota Joaquina, as Infantas Maria Teresa e Maria Isabel, o Príncipe herdeiro D. António Pio e o infante D. Pedro de Alcântara.
No início do século XIX, em Portugal, tal como em Espanha, vivia-se um período politicamente revoltoso. O reino português encontrava-se empobrecido e esgotado depois de se ter envolvido numa crise motivada, entre outras razões, pelo refúgio forçado da família real no Brasil (29 de novembro de 1807), pelo alcance destruidor das três invasões napoleónicas (1ª invasão – 1807-1808; 2ª invasão – 1809; 3ª invasão – 1810-1811) e pela abertura dos portos do Brasil ao comércio mundial (decreto de 28 de janeiro de 1808), provocando a ruína económica portuguesa e consequente domínio dos ingleses sobre Portugal até à Revolução de 1820.
Com o rei D. João VI no Brasil, aumentava em Portugal a pobreza, a ruína agrícola e industrial. O colapso nas rendas públicas teve como consequência atrasos nos pagamentos aos funcionários públicos e militares, a miséria e o desemprego. Esta situação levou à Conspiração de Lisboa em 1817, liderada pelo General Gomes Freire de Andrade, Grão-mestre do Grande Oriente Lusitano (1815-1817), que teve como objetivo da conjura a substituição de D. João VI que se encontrava no Brasil pelo duque de Cadaval[1], “… reformar abusos, cohibir um governo injusto, dispotico, absurdo; salvar a Patria já quasi sepultada no abismo, &c…”[2], e à Revolução do Porto em 1820, que já teve o cunho liberal.
A Revolução de 1820, que já vinha imbuída deste conjunto de antecedentes[3], aos quais podemos adicionar outros eventos como a fundação do chamado Sinédrio, integrado por alguns maçons, e que tinha como finalidade a consolidação do Exército Português no país, e a Revolução de 1820 na Espanha que restaura, em março, a Constituição liberal de Cádis (1812), evidenciava uma viragem na mentalidade das elites portuguesas, só quebrada no período de 1829-1834, período do absolutismo miguelista.
[1] Opinião de PEREIRA, Ângelo – D. João VI Príncipe e rei: a retirada da família real para o Brasil, 1807. Lisboa: Imprensa Nacional de Publicidade, 1943, p. 144. Apud VENTURA, António – Uma História da Maçonaria em Portugal. Lisboa: Círculo de Leitores, 2013, pp. 90-93.
[2] Pretendiam também a reunião das cortes, uma Constituição e a eleição de um rei constitucional. Veja-se FREITAS, Joaquim Ferreira de – Memoria sobre a conspiração de 1817: vulgarmente chamada a conspiração de Gomes Freire. Londres: Ricardo e Artur Taylor, 1822, p. 70.
[3] Teve como principais antecedentes: a invasão de Portugal pelas tropas napoleónicas, em 1807; a transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808-1821); a assinatura do Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, no dia 28 de janeiro de 1808 e o posterior Tratado de Comércio e Navegação assinado entre Portugal e a Grã-Bretanha em 19 de fevereiro de 1810; situação de miséria económica em Portugal, com fábricas em declínio, a agricultura em decadência, que levou a um colapso das rendas públicas e a miséria social. Veja-se VARGUES, Isabel Nobre – “O processo de formação do primeiro movimento liberal: a Revolução de 1820”. In MATTOSO, José (dir.) – História de Portugal, 5º vol.: O Liberalismo. Lisboa: Círculo de Leitores, 1993, pp. 45-63.
Alegoria ao juramento de obediência à Constituição Gravura a buril de Constantino de Fontes, a partir da obra de António Maria de Fonseca Década de 1820
GENERAL GOMES FREIRE DE ANDRADE E A CONSPIRAÇÃO DE OUTUBRO DE 1817
General Gomes Freire de Andrade foi um partidário das ideias liberais, condenado à morte em 18 de outubro de 1817, após uma revolta contra o domínio de William Beresford, que regia Portugal, após a saída da Família Real para o Brasil em 1807.
Gomes Freire de Andrade, era maçon, fazendo parte da loja militar portuguesa – Chevaliers de la Croix – (Cavaleiros da Cruz) da legião portuguesa – integrada na obediência do Grande Oriente Lusitano (GOL), da qual foi venerável mestre.
Quadro de Roque Gameiro (1917) dedicado à execução de Gomes Freire
SINÉDRIO
O Sinédrio foi composto por umgrupo de personalidades, norteados pelo projeto liberal. Lutam contra os abusos dos ingleses, contra a miséria pública instalada, defendendo a necessidade de reformas urgentes. É organizado no Porto, no dia 22 de janeiro de 1818, por Manuel Fernandes Tomás, José Ferreira Borges, José da Silva Carvalho, todos juristas, e João Ferreira Viana, comerciante. Esta estrutura estará na origem da Revolução de 1820.
Manuel Fernandes Tomás, José da Silva Carvalho e José Ferreira Borges
Il Gesú, de Roma (protótipo), S. Roque, de Lisboa e Colégio de Jesus, de Coimbra (Sé Nova)
Mantendo o respeito pelas normas da II Congregação Geral, a Companhia de Jesus segue a linha de que, todas as edificações deviam respeitar os critérios de utilidade, funcionalidade e adaptação aos Ministérios da Companhia, constituindo, deste modo, a essência do modo nostro jesuíta.
A linha arquitetónica definida pela Companhia irá também ser seguida em Portugal. Vão surgir igrejas amplas com ou sem capelas laterais, onde o transepto é curto. Igrejas com uma só nave, compacta, que se desenvolve em andares com tribunas e galerias sobre as capelas ou sobre os altares. O seu espaço interno apoia-se em esquemas rítmicos simples e de grande largueza de conceção. Esta vasta área adapta-se perfeitamente à função missionária da Companhia, mais dedicada à pregação, às confissões, ao estudo, ao ensino, sempre em missão.
Com este tipo de planta aumenta o número de cristãos no seu interior, tal como a celebração de várias missas em simultâneo nas várias capelas, pois as naves laterais transformaram-se em capelas para Santos, para servirem de intercetoras entre o homem e Deus. Trata-se de recuperar, a partir desta planta, os fiéis perdidos com a reforma protestante e voltar à clara tradição cristã. Para os jesuítas, a igreja é agora símbolo do todo um processo que leva a humanidade à salvação, instrumento espiritual de mediação entre a terra (matéria) e o céu (espírito). Segundo o padre jesuíta Francisco Rodrigues, as igrejas jesuíticas lusas da segunda metade do séc. XVI e primeiro quartel do séc. XVII seguem o modelo da igreja de Gesú.
Deste modo, o protótipo de igreja jesuítica é a igreja do Gesú, de Roma, a primeira igreja construída para a Companhia de Jesus e aquela em que transparece os objectivos da Contra-Reforma, que mais tarde vão ser utilizados em toda a arquitectura religiosa barroca. Em 1568, foi iniciado o templo pelo arquiteto Giacomo Barozzi (Vignola). Igreja onde o altar se encontra no local de acordo com objetivos litúrgicos assumidos no Concílio – a disposição interior reúne as vantagens do plano alongado, em cruz latina, onde todas as vistas convergem para o alvo principal, disposto em situação predominante, o altar.
Fachada e Planta da Igreja de Il Gesú (Roma, Itália)
Uma só nave, larga e desafogada, seis capelas laterais intercomunicantes, de um lado e de outro da nave, erigidas em honra dos Santos e Mártires, permitindo-se a passagem destas ao transepto através de duas câmaras circulares; o transepto é ligeiramente saliente com capelas nos topos, a cúpula sobre o cruzeiro é grande, permitindo iluminar toda a abside; o altar principal fica, geralmente, numa posição bem visível, no topo da capela-mor e o púlpito[1] alto e bem posicionado para dominar sem dificuldade todo o templo e ao mesmo tempo tornar-se o ponto focal, para onde tudo converge. A necessidade de mostrar a grandeza de Deus num espaço amplo, com muita luz incentivando o povo cristão ao culto e mostrando de uma só vez todo o recinto sagrado e o orador a pregar. Esta igreja corresponde a dois tempos vividos pela Reforma, a sobriedade dos primeiros tempos e a riqueza e ostentação do segundo, onde o maneirismo da estrutura arquitetónica se mistura com barroco da decoração. [2]
[1] Tribuna, nas igrejas, de onde os oradores sagrados pregam;
[2] CHIESA DEL GESÚ DI ROMA Disponível na Internet em: <http://www.chiesadelgesu.org/>. [Referência de: 25 agosto de 2020]; Paulo F. Santos., O Barroco e o jesuítico na arquitectura do Brasil, Rio de Janeiro: Kosmos, 1951, pp. 92 e ss.
Fachada e Planta da Igreja de S. Roque (Lisboa, Portugal)
No âmbito do Padroado Português, o modelo mais próximo terá sido a igreja de S. Roque, em Lisboa. Entre 1566 e 1575 a construção de S. Roque irá subir até a cornija interior com a intervenção de Afonso Álvares. Com a morte deste, surge um segundo arquiteto, Baltasar Álvares, seu sobrinho e colaborador.
O projeto da igreja de S. Roque embora inspirado no da igreja de Gesú, apresenta em relação a esta várias diferenças como: a diminuição da largura do transepto que, na igreja de Lisboa, quase se confunde, em planta, com as capelas laterais; enquanto na arquitetura da Gesù há uma cúpula central que depende dos arcos gerados pela abóbada de berço, no padrão português a adoção das traves promove um espaço mais livre e a inexistência de abóbadas recortando o forro da nave central possibilita o uso de padrões decorativos cada vez mais sofisticados nos forros (como a pintura ilusionista); oito capelas laterais intercomunicantes; cabeceira retangular com capela-mor plana e pouco profunda; a substituição da abside[1] por uma capela-mor muito pequena e inclusão de uma teia com balaústres que delimita o avanço do santuário em relação ao corpo da igreja[2].
[1] Hemiciclo ou meia abóbada que termina as basílicas cristãs, debaixo do qual se contém o altar-mor;
[2]Oceanos. António Mega Ferreira (dir.), nº 12 (nov. 1992), Lisboa: C.N.C.D.P., pp.105-106; Maria João Madeira Rodrigues, A igreja de S. Roque, Lisboa: Santa Casa da Misericórdia, 1980.
Fachada e Planta da Igreja do Colégio de Jesus (Sé Nova, Coimbra, Portugal)
A construção do Colégio de Jesus, foi iniciada em 1547 por Afonso Álvares, mas em1560 a planta original foi modificada para se adaptar ao elevado número de religiosos que o iriam habitar. Construído depois da Igreja de São Roque, a igreja do Colégio de Jesus iniciou-se em 1598 e Baltazar Álvares, “arquiteto oficial” da Companhia de Jesus em Portugal, será o seu autor, apresentando uma evolução ao modelo lisboeta.
A fachada está inserida no modelo maneirista de Il Gesú e é composta por dois corpos sobrepostos separados por uma cornija, tendo na parte inferior cinco tramos divididos por pilastras toscanas. O frontispício de volumes robustos e estrutura de grande verticalidade é decorado com janelas simétricas e nichos com imagens de santos jesuítas. No final do século XVII foram acrescentadas duas torres recuadas em relação ao alçado principal, marcando a diferenciação em relação ao protótipo jesuíta de Roma.[1]
A planta segue o esquema em cruz latina, de abóbada tal como Il Gesú de Roma, apresentando um espaço interior de nave única, com transepto e capelas laterais intercomunicantes, e cruzeiro coberto por cúpula semiesférica com lanternim[2].
[1] Rui Pedro Lobo, Os Colégios de Jesus, das Artes e de São Jerónimo: Evolução e transformação no espaço urbano, Coimbra: [Ed. do A.], 1994 pp.30-31.
In VEIGA, Francisca Branco. Noviciado da Cotovia: O Passado dos Museus da Politécnica 1619-1759. Dissertação (Mestrado em Património Cultural) – Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, 2009.
—
Segundo o modo nostro: o edifício do noviciado da Cotovia da Companhia de Jesus, 1619 – 1759
Mátria Digital, Ano X, Número X (Dezembro 2022 – Novembro 2023).
«… explica-lhes como o Templo está feito: o seu traçado, as entradas e saídas, a forma, a disposição de tudo e os regulamentos. Escreve tudo para que possam ler e vejam como tudo está delineado …»
Livro de Ezequiel 43, 11-12
O artigo sobre o modo nostro no edifício do noviciado da Cotovia da Companhia de Jesus, instituição criada no espaço onde atualmente existe o Museu Nacional de História Natural e da Ciência (MNHNC), tem como objetivo dar a conhecer a história e edificação deste espaço de educação e religião, no período entre 1619 e 1759. Pelo estudo do espólio arquitetónico e artístico que chegou aos nossos dias e de fontes de informação com ele relacionado pretendeu-se demonstrar que combinando os fatores espirituais com os factores físicos, este espaço assumiu a sua forma exaltando-se o espírito do lugar de acordo com o modo nostro. Assim, concebido para responder ao programa arquitetónico específico desta Ordem, o noviciado da Cotovia tornou-se uma referência como primeiro noviciado da Companhia de Jesus na Província Portuguesa.
Palavras-chave: Companhia de Jesus – Noviciado – Arquitetura –História
VEIGA, Francisca Branco. “Segundo o modo nostro: o edifício do noviciado da Cotovia da Companhia de Jesus, 1619 – 1759”. In Mátria Digital, Ano X, Número X (Dezembro 2022 – Novembro 2023).
Revista cientifica MÁTRIA DIGITAL, DO Centro de Investigação Professor Joaquim Veríssimo Serrão (CIJVS)
Ano X, Número X matriadigital.cm-santarem.pt/index.php/ensaio/111-ensaio-10
Em 1609, no ano de beatificação de Santo Inácio de Loiola, fundador da Companhia de Jesus, publicou-se em Roma a sua vida «figurada», baseada na biografia do Padre Pedro Ribadeneyra, Vita beati patris Ignatii Loyolae religionis Societatis Iesu fundatoris ad viuum expressa ex ea quam..
Composta de setenta e nove gravuras mais um frontispício, obras de Rubens e de Jean Baptiste Barbé. É considerada a primeira grande sistematização iconográfica da vida do santo fundador, após as Vitae em folhas avulsas de Thomas de Leu (Paris, 1590) e de Francisco Villamena (Roma, 1600) e depois da série de doze gravuras de Hieronymos Wiex (Antuérpia, cerca de 1609).
Esta obra foi muito importante para a arte jesuíta, pois veio a servir de modelo para outras representações feitas um pouco por todo o mundo católico.
O gosto dos jesuítas pela Gesamtkunstwerk ou obra de arte total, mostra que, associando-se a artistas nacionais e estrangeiros, estes “homens de Deus” conseguiram interpretar os princípios estéticos vigentes no mundo católico pós reforma católica.
Um programa cultual e de doutrinação teve como consequência a criação de uma arte religiosa muito própria desta Ordem nos diversos níveis artístico, como, a arquitetura, a pintura, a escultura ou a ourivesaria.
VEIGA, Francisca Branco – Noviciado da Cotovia: O passado dos Museus da Politécnica 1619-1759 [texto policopiado]. Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em Património Cultural. Lisboa: Universidade Católica Portuguesa, 2009.
Convalescença e conversão de Inácio, no Solar de Loyola Sacristia da Igreja de S. Roque, Lisboa autor desconhecido Cerca de 1619 Com legenda coeva, subdividida em três:
“A – ESTANDO IGNACIO GRAVEMENTE HERIDO EL APARECE PEDRO Y EL DA SALUD / B- VENCIDAS LAS TENTACIONES SE OFERECE POR SOLDADO AL SENOR / C- ORANDO DE NOCHE SE EL APARECE NUESTRA SENORA Y DALE EL DON DE LA CASTIDAD”Vita Beati P. Ignatii Loiolae Societatis Iesu Fundatoris, 1609, Incisões da autoria de Peter Paul Rubens As temáticas, Convalescença e conversão de Inácio, no Solar de Loyola, são tratadas em duas imagens distintas
—
Como referir este texto:
Sendo um blogue com conteúdos de criação intelectual privada, estão protegidos por direitos de autor. Seja responsável na utilização e partilha dos mesmos!
VEIGA, Francisca Branco, Ciclo iconográfico da vida de Santo Inácio de Loyola: Um programa cultual e de doutrinação (1609) (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [28 de Setembro de 2020].
Pelo breve Ad catholicae gubernacula, de 18 de novembro de 1841, Gregório XVI nomeia mons. Capaccini como Internúncio e delegado apostólico em Portugal para,
«non perderequestanazionecattolica»
Retrato de D. Maria II Representada em frente ao busto de D. Pedro IV, e apoiando a mão esquerda sobre a Carta Constitucional. Autor Desconhecido
Em março de 1842, Gregório XVI enviou a D. Maria II a Rosa de Ouro, como símbolo de estima e afeição paterna, ou como refere Gomes Freire num artigo do jornal Diário Ilustrado, de 4 de julho de 1892,
Diário Ilustrado, nº 6:921, 4 de julho de 1892, p.2
1848 – Concordata de Braga entre representantes de D. Maria II e de Pio IX, tentou-se amenizar as consequências do “Cisma” sobre as questões do padroado português no Oriente.
Como fazer a referência bibliográfica deste artigo científico
VEIGA, Francisca Branco (2019, nov.). 1832-1834 Regência de D. Pedro em nome de sua filha D. Maria da Glória: fim do governo temporal da Igreja Católica e das Ordens Religiosas em Portugal. In SOARES, Clara Moura; MALTA, Marize (eds.), D. Maria II, princesa do Brasil, rainha de Portugal Arte, Património e Identidade, Lisboa: Palácio Nacional da Ajuda, 12 nov. (pp. 113-120). ARTIS – Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
D. Amélia de Leuchtenberg, Imperatriz Consorte do Brasil de 1829 a 1834. Era filha de Eugénio de Beauharnais, Duque de Leuchtenberg e de sua esposa a princesa Augusta da Baviera.
No dia 16 de outubro de 1829, chega ao Rio de Janeiro a nova Imperatriz do Brasil, D. Amélia, juntamente com seu irmão Augusto, Duque de Leuchtenberg, e a futura rainha D. Maria II, de Portugal (filha do Imperador D. Pedro I).
Segundas núpcias do imperador D. Pedro I, por Jean-Baptiste Debret
Princesa D. Maria Amélia do Brasil, Duquesa de Bragança 1839 Autor não identificado A partir de, Friedrich Dürck Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil.
(Lisboa, 6 de fevereiro de 1608 — Salvador, 18 de julho de 1697)
Padre António Vieira
Sala dos Passos Perdidos da Assembleia da República (pormenor pintado a óleo sobre tela por Columbano Bordalo Pinheiro)
Padre António Vieira, notável prosador e um dos mais conhecido orador religiosos portugueses, passou pelos espaços do noviciado da Cotovia (atual espaço do Museu Nacional de História Natural e da Ciência), como consequência das suas atitudes e afirmações, na defesa dos seus ideais. Nasceu em 1608, em Lisboa e morreu em 1697, na Baia, Brasil. Destacou-se como missionário em terras brasileiras.
Defendeu até ao limite os direitos humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização. Defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos, judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição e cristãos-velhos, e a abolição da escravatura.
Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição. Em 1664, adoentado, teve de comparecer diante do Tribunal da Inquisição, para responder sobre seu escrito «Quinto Império»*. Em 1665, recebe ordem de prisão da Inquisição, entregando a sua defesa um ano mais tarde, aos examinadores da Inquisição.
Em 1667 o Tribunal da Inquisição de Coimbra dá a sentença final, proibindo-o de pregar para sempre, confinando-o por tempo indeterminado numa casa da Companhia. É feita a leitura da sentença da Inquisição no refeitório do Colégio da Companhia de Jesus de Coimbra, perante toda a comunidade.
Em janeiro de 1668, o Tribunal da Inquisição de Coimbra determina que um colégio da Companhia de Jesus seria o seu lugar de reclusão, sendo que no mês seguinte, o mesmo Tribunal vai permitir-lhe que mude para o noviciado de Cotovia, em Lisboa. Destaca-se uma carta ao Duque do Cadaval onde ele afirmava que,
“O passar de Coimbra para a Cotovia e da profissão para o noviciado, não sei se é ir adiante, se tornar atraz”.
Em abril, teólogos de Coimbra julgam que a sua causa deve ser revista pelo Tribunal Pontifício pois, segundo estes, todo o processo se fizera não por zelo da verdade mas por ódio ao padre António Vieira e aversão à Companhia de Jesus.
Em junho é liberado pela Inquisição de Lisboa das penas que lhe impôs a Inquisição de Coimbra, mas com a obrigação de não tratar sobre os assuntos de que fora acusado.
Já em 1669, numa carta do Padre Provincial do Brasil ao Superior Geral, o padre João Paulo Oliva, é comunicado que seria enviado a Roma o padre António Vieira, para este promover o processo de beatificação dos padres José de Anchieta e Inácio de Azevedo e dos trinta e nove companheiros martirizados a caminho do Brasil. Mas a intenção principal era solicitar ao Santo Ofício de Roma a revisão do seu processo na Inquisição de Coimbra.
Embarca de Lisboa para Roma onde irá ficar até 1675, data em que o Papa Clemente X, através do Breve Pontifício aprova a doutrina do padre António Vieira, isentando-o da Inquisição de Portugal. Morreu no Brasil, na região da Baia, velho e doente, a 18 de julho de 1697, com 89 anos.
Também é conhecido no Brasil por “Paiaçu”, que significa Grande Padre/Pai, em tupi.
*veja-se, O Occidente, de 20 de julho de 1897.
In VEIGA, Francisca Branco – “Noviciado da Cotovia: O passado dos Museus da Politécnica 1619-1759”[texto policopiado]. Dissertação para a obtenção do Grau de Mestre em Património Cultural. Lisboa: Universidade Católica Portuguesa, 2009.
Estátua de padre António Vieira, inaugurada no dia 22 de junho de 2017. Marco Fidalgo, Escultor Largo Trindade Coelho, Lisboa
INSCRIÇÃO:
PADRE ANTÓNIO VIEIRA S.J.
Lisboa 1608 S. salvador da baía (Brasil) 1697
jesuíta pregador sacerdote político diplomata defensor dos índos e dos direitos humanos lutador contra a inquisição
In VEIGA, Francisca Branco. Noviciado da Cotovia: O Passado dos Museus da Politécnica 1619-1759. Dissertação (Mestrado em Património Cultural) – Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, 2009.
CRIAÇÃO DO REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVES
A notícia só é publicada em Lisboa em 1816, no nº 299 da Gazeta de Lisboa, 17 de dezembro de 1816, edição de 3ª feira:
«S. M. ElRei, meu Amo, fica sciente da resolução de S. A. R. o Principe Regente de Portugal, que V. Ex. me comunica em sua nota de 13 do corrente, pela qual S. A. R. Houve por bem elevar o Estado do Brasil á dignidade de Reino, e uni-lo aos de Portugal e Algarves, de forma que componhão hum só e hum mesmo Corpo político, tudo em conformidade da Carta Régia de 16 de Dezembro próximo passado, de que me remete V. Ex. hum exemplar.
Renovo a V. Ex. com este motivo meus anteriores oferecimentos. Deos guarde a V. Ex. muitos anos. Palacio 19 de Março de 1816. B. A. M. – Pedro Cevallos. – Sr. Ministro de Portugal.»
D. João VI, Rei do Reino Unido de Portugal e do Brasil e Algarves. Gravura de Charles Simon Pradier, a partir da pintura de Jean Baptiste Debret. 1817-1819. Palácio Nacional de Queluz