Marcos e Curiosidades do Forte de São Julião da Barra, em Oeiras

Planta do Forte de São Julião da Barra
Século XVI (A.)

O Forte de São Julião da Barra, localizado em Oeiras, é uma das mais emblemáticas fortificações costeiras de Portugal, com uma rica história que atravessa séculos e reflete momentos cruciais da política, religião e defesa do país. Inicialmente construído para proteger a entrada do rio Tejo e salvaguardar a cidade de Lisboa de ameaças marítimas, o forte tornou-se, ao longo do tempo, muito mais do que um bastião militar. Palco de episódios marcantes, como a prisão de jesuítas durante as reformas do Marquês de Pombal e a execução do general Gomes Freire de Andrade em 1817, a fortaleza também foi cenário de tensão e transformação política, testemunhando mudanças ideológicas e sociais que moldaram o destino da nação.

Além do seu papel estratégico, o Forte de São Julião da Barra está repleto de curiosidades e detalhes históricos, como a sua relação simbólica com a Torre do Bugio e os relatos de antigos prisioneiros que vivenciaram o isolamento nas suas muralhas. Cada elemento do forte, desde as suas imponentes torres até os subterrâneos que outrora serviram de cárcere, carrega histórias que ilustram a importância deste monumento como um verdadeiro guardião da memória coletiva portuguesa.

Em setembro de 1758, todas as casas da Companhia em Lisboa foram cercadas pela tropa. Eram sete: a casa professa de S. Roque, fundada durante o governo de S. Francisco de Borja, 3.° Geral da Companhia; o colégio de Santo Antão; o colégio de S. Francisco Xavier; a casa do Noviciado da Cotovia, assim chamada devido ao nome da colina em que se encontrava situada, que foi depois colégio dos Nobres; o seminário irlandês de S. Patrício; a residência de S. Francisco de Borja, Procuradoria das províncias ultramarinas; e o noviciado de vocações para as missões de Goa, Japão e China, vulgarmente chamado de Arroios.

A 3 de Setembro de 1759 foi promulgada a “Lei dada para a proscrição, desnaturalização e expulsão dos regulares da Companhia de Jesus, nestes reinos e seus domínios”.  Simbolicamente decretada um ano após a tentativa de regicídio, a expulsão oficial dos jesuítas de Portugal culminou no embarque de cerca de 1100 membros da Companhia de Jesus na zona de Belém. Dali, partiram em direção aos Estados Pontifícios, encerrando um capítulo marcante de perseguição religiosa e política no país.

Alegoria à expulsão dos jesuítas
Autor Desconhecido; c. 1759; Museu da Cidade
A interpretação alegórica desta aguarela é evidenciada pelos elementos iconográficos que acompanham a figura central do padre jesuíta. A tocha acesa que inflama o globo terrestre, junto à mitra papal e à coroa real, simboliza a suposta afronta da Companhia de Jesus ao poder eclesiástico e ao poder monárquico. O livro fechado aos seus pés representa a interdição das atividades educativas da Ordem em Portugal, enquanto o saco de moedas de ouro alude aos bens da Companhia que foram confiscados pelo Estado. No fundo da composição, uma nau afastando-se ao largo simboliza a lei de 3 de setembro de 1759, que decretou a expulsão dos jesuítas do reino. Sobre a cena, um céu tormentoso lança um raio que atinge o rosto do clérigo, sublinhando a punição divina ou política atribuída à sua figura.

Em janeiro deu-se a prisão de dez dos principais membros da Companhia de Jesus. Entre eles estavam o Padre João Henriques, Provincial da Companhia de Jesus em Portugal; o Padre Gabriel Malagrida, missionário apostólico; o Padre José Moreira, confessor do Rei e da Rainha; o Padre Timóteo de Oliveira, confessor do Príncipe do Brasil e da Duquesa de Bragança; o Padre Jacinto da Costa, diretor espiritual do príncipe D. Pedro; o Padre Francisco Duarte, historiador da Província Portuguesa; o Padre Inácio Soares, professor de teologia no Colégio das Artes de Coimbra; o Padre João Alexandre, Procurador Geral da Província do Malabar; o Padre João de Matos, Procurador da Casa Professa; e o Padre José Perdigão, Procurador da Província Portuguesa. Estas prisões, feitas sob a acusação de graves crimes, perpetuaram-se na história como um dos momentos mais sombrios para a Companhia de Jesus em Portugal.

FORTE DE SÃO JULIÃO DA BARRA 1759

O nome do Forte de São Julião da Barra é frequentemente abreviado pelo povo para “São Gião”, uma forma mais popular e informal. A festividade em honra deste santo, que foi martirizado em Antioquia sob os imperadores Diocleciano e Maximiano, ocorre a 9 de janeiro. Nas correspondências dirigidas a esta fortaleza, é comum utilizar as designações “Torre” ou “Barra de São Gião”. A origem do nome remonta à imponente torre que integra o forte, onde, todas as noites, se acende um farol equipado com 25 luzes, servindo como guia para as naus que se aproximam da entrada do Tejo.

Planta dos cárceres de S. Julião da Barra, desenhada pelo P. Lourenço Kaulen.
Aqui chegou o P. Eckart em 1762 e ficou até março de l777. Anselmo Eckart, Memórias de um Jesuíta Prisioneiro de Pombal. Braga: Livraria A. I., 1987, p. 176ª; Do original autografo do P. Kaulen Relação de algumas cousas que succederão aos religiosos da Companhia de Jesus…, p. 15 B.

O período de detenção do padre jesuíta Anselmo Eckart na Torre de São Julião da Barra, entre 1762 e março de 1777, fornece um valioso testemunho sobre a vida e as características das fortalezas que protegiam a entrada do Tejo no século XVIII. As suas Memórias de um Jesuíta Prisioneiro de Pombal não só relatam a experiência pessoal de um religioso em tempos de perseguição, mas também oferecem um olhar detalhado sobre a organização militar e simbólica destas estruturas, como a Torre de São Lourenço, mais conhecida como Torre do Bugio.

O padre jesuíta Anselmo Eckart chegou à Torre de S. Julião em 1762 e ficou até Março de l777. Refere este em Memórias de um Jesuíta Prisioneiro de Pombal:

«Esta torre enfrenta uma outra que sobressai no meio do mar, chamada vulgarmente Torre do Bugio, ou do macaco por ser uma imitação da fortaleza de S. Julião. Macaco de imitação também, porque quando o forte de S. Julião dispara uma peça de artilharia logo a Torre do Bugio responde com outro tiro. É esta Torre dedicada a S. Lourenço, e celebra-lhe o dia da comemoração como sua festa principal. Está munida de doze grandes canhões a que vulgarmente chamam os doze Apóstolos. A guarnição é feita por soldados de S. Julião, que se rendem todos os meses»[1] .

Forte de São Lourenço do Bugio, também conhecido como Forte de São Lourenço da Cabeça Seca ou simplesmente Torre do Bugio.
Bugio visto do Forte de São Julião da Barra.

Fotografia @franciscabrancoveiga

O relato de Eckart destaca a relação simbólica e operacional entre o Forte de São Julião e a Torre do Bugio, refletindo o rigor defensivo e o valor estratégico destas edificações. A descrição minuciosa das tradições associadas às fortalezas, como a celebração do dia de São Lourenço e o uso dos “Doze Apóstolos”, revela não apenas a dimensão militar, mas também a interseção entre devoção religiosa e vida quotidiana na guarnição. Este testemunho constitui uma fonte histórica rica, ilustrando a realidade das fortificações costeiras portuguesas numa época de desafios internos e externos.

Segundo Eckart os jesuítas «foram conduzidos para a Torre de S. Julião, onde os sepultaram vivos nos subterrâneos que Pombal mandara cavar»[1].

FORTE DE SÃO JULIÃO DA BARRA 1817

Em maio de 1817, implicado e acusado de liderar uma conspiração, Gomes Freire de Andrade (Viena, 27 de janeiro de 1757 – Oeiras, Oeiras e São Julião da Barra, Forte de São Julião da Barra, 18 de outubro de 1817) foi detido, preso, tratado como um criminoso, condenado à morte e enforcado (embora tenha pedido para ser fuzilado), na manhã de 18 de outubro, no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, por crime de traição à Pátria. As suas cinzas foram lançadas ao mar.

Execução de Gomes Freire de Andrade

Com a expulsão dos franceses e a queda de Napoleão, a família real portuguesa permanecia no Brasil, enquanto os ingleses continuavam a exercer um domínio quase colonial sobre Portugal. Este controle humilhava os verdadeiros patriotas, que viam o país subordinado aos interesses britânicos. O descontentamento era generalizado: o povo revoltava-se porque grande parte dos rendimentos nacionais era enviada para o Rio de Janeiro, enquanto as classes mais instruídas ansiavam por mudanças, inspiradas pelas ideias liberais que já se espalhavam pela Europa. Um clima de impaciência e fervor revolucionário tomava conta dos corações patrióticos.

Neste cenário, Gomes Freire de Andrade, suspeito de conspirar contra o domínio britânico e o absolutismo monárquico, foi preso, junto a outros companheiros, em 25 de maio de 1817. Após um julgamento marcado por graves irregularidades e injustiças, o corajoso general foi condenado à morte. A sentença foi divulgada apenas dois dias após a sua execução, evidenciando o ódio de Beresford, que, numa última humilhação, negou a Gomes Freire um fuzilamento honrado, digno de um soldado, e ordenou que ele fosse enforcado, como se fosse um criminoso vulgar.

A execução ocorreu às 9 horas da manhã de 18 de outubro de 1817. O cenário era tanto trágico quanto emblemático: Gomes Freire, sereno e altivo, vestia uma alva, mantendo a compostura apesar do frio e das pedras que feriam os seus pés. A expressão cruel do carrasco contrastava com a dignidade do general. Após o enforcamento, o corpo de Gomes Freire foi incinerado numa pira de lenha, e os seus restos mortais, em um ato de desrespeito final, foram lançados ao mar. Este episódio ficou gravado na história como um dos mais sombrios atos de repressão contra os ideais de liberdade e justiça em Portugal.

Roque Gameiro, de parceria com Alberto de Sousa, participou na ilustração dos Quadros da História de Portugaleditada em 1917. 

Em memória de Gomes Freire de Andrade, executado em 1817, uma lápide e um silhar de azulejos com a sua efígie foram colocados sobre a porta da torre do Forte de S. Julião.

Fotografia @franciscabrancoveiga
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Quarto/prisão onde esteve Gomes Freire de Andrade
Fotografia @franciscabrancoveiga
Quarto/prisão onde esteve Gomes Freire de Andrade
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FORTE DE SÃO JULIÃO DA BARRA 1834

Pela Portaria de 24 de maio de 1834, dirigida ao Corregedor de Coimbra, quatro dias antes da publicação do Decreto da extinção das Ordens religiosas, determinava Joaquim António de Aguiar que «d’ella saiam [os Jesuítas] immediatamente, dando-lhes itinerário», e no prazo mais curto possível se apresentassem na secretaria de estado, onde se providenciaria os meios para o seu embarque com destino ao exílio[2]. Tinha a Companhia de Jesus honras de perseguição em decreto especial.

Os Padres Jesuítas, que se encontravam em Coimbra e seguiam em direção a Lisboa, foram encaminhados para a Torre de São Julião da Barra, onde chegaram no dia 6 de junho do ano corrente. A decisão visava mantê-los sob custódia, protegendo-os de possíveis ataques populares, já que o clima ainda era tenso devido às recentes vitórias obtidas contra o Exército Miguelista.

Carta em Francês, que a bordo do navio e no dia da partida (7 de julho de 1834) dirigiu por despedida ao governador do Foret de S. Julião da Barra o P. Mallet, Superior da Missão portuguesa da Companhia de Jesus.

«A bordo em 7 de julho de 1834

Senhor Governador Chegou o dia em que devemos deixar este país agradável, onde não existem nem as prisões que não tenham os seus atrativos! Dentro de algumas horas voltaremos a ver, provavelmente nunca mais as veremos, as muralhas do Forte de S. Julião, […] Em nome de todos os meus colegas tenho a honra de estar, com a maior estima e eterna gratidão»[3].

In summa, o Forte de São Julião da Barra simboliza um espaço de grande significado histórico e político, servindo como palco de eventos marcantes que refletem as tensões e transformações de Portugal ao longo dos séculos. Desde a expulsão dos Jesuítas em 1759, uma medida que consolidou a autoridade do Marquês de Pombal e reafirmou o poder do Estado sobre a Igreja, até a execução de Gomes Freire de Andrade em 1817, um marco trágico da luta entre absolutismo e liberalismo, este forte tem sido testemunha silenciosa de perseguições e mudanças ideológicas.

A sua função como prisão e fortaleza militar, associada ao controle e à repressão, também se entrelaça com um simbolismo de resistência e memória, perpetuado por documentos, relatos e até homenagens póstumas, como a lápide dedicada a Gomes Freire.

Assim, o Forte de São Julião da Barra permanece não apenas como uma estrutura defensiva à entrada do Tejo, mas como um marco da história portuguesa, carregando em suas paredes os ecos das disputas políticas, das perseguições religiosas e dos anseios por liberdade e justiça.

XXXXXXXX

(A.) – CARITA, Rui; Cardoso, António Homem, O Escudo do Reino: A Fortaleza de S. Julião da Barra, Ministério da Defesa Nacional, 2007.

[1] In Anselmo Eckart, Memórias de um Jesuíta Prisioneiro de Pombal. Braga: Livraria A. I., 1987, pp. 183; 104.

[2] Portaria de 24 de maio de 1834, dirigida ao Corregedor de Coimbra, para proceder à imediata expulsão dos Jesuítas. ARQUIVO UNIVERSIDADE DE COIMBRA (AUC), Colégio das Artes, Relações de Livros existentes em antigo Cartório – tombos de bens, privilégios e doações do Património antigo e novo (dos extintos colégios da Companhia de Jesus). Inventário de Bulas, Alvarás, sentenças e outros títulos com remissão para as gavetas do Cartório, [Manuscrito].V. cx.; SILVA, Antonio Delgado da – Collecção da legislação Portugueza desde a ultima compilação das ordenações: Legislação de 1833 a 1834, vol. VIII, anno de 1834. Lisboa: Typ. Maigrense, 1835, p. 438; Chronica Constitucional de Lisboa, nº 124, de 27 de maio de 1834.

[3] Produções dos Padres Jesuitas durante o tempo q estivérao na Torre de Saõ Julião da Barra, anno 1834.

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VEIGA, Francisca Branco, Marcos e Curiosidades do Forte de São Julião da Barra, em Oeiras (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [02 de Dezembro de 2024].

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SIMÃO RODRIGUES (primeiro Provincial da Companhia de Jesus em Portugal)

N. 1510, Vouzela (Viseu), Portugal; M. 15 julho 1579, Lisboa, Portugal.

Cofundador da Companhia de Jesus, estando ao lado de Inácio de Loyola na criação desta Ordem, fundada em Paris em 1534.

P. Simão Rodrigues SJ
Inácio de Loyola e os primeiros companheiros

De família nobre, foi para a Universidade de Paris (1527) como bolseiro do rei D. João III. Em Paris ficou no colégio de Santa Bárbara, dirigida pelo português Diogo de Gouveia, o Velho. Estudou letras e entrou em 1532, no círculo de amigos de Inigo de Loyola, formando assim parte do núcleo inicial da Companhia de Jesus. Formado como Mestre em Artes (1536), e, em seguida, estudou Teologia.

Collège Sainte-Barbe, 4 rue Valette, Paris 

Foi ordenado sacerdote em 24 de Junho de 1537, em Veneza.

Diogo de Gouveia, ciente dos projetos e frutos apostólicos de Inácio e dos seus companheiros, propôs (1538) a D. João III de Portugal que os convidasse para irem à Índia.

Diogo de Gouveia (c. 1471, Beja – 8 de dezembro de 1557, Lisboa), conhecido como Diogo de Gouveia, o Velho para o distinguir do seu sobrinho Diogo Gouveia, o moço, que foi embaixador de D. João III junto do Concílio de Trento.

D. João III confiou este assunto ao seu embaixador em Roma, D. Pedro de Mascarenhas, e Inácio de Loyola designou Francisco Javier e Simão Rodrigues para esta missão. Vendo os frutos que produziam em Lisboa, o Rei decidiu que Francisco de Javier seguiria para a Índia e que Simão Rodrigues ficaria em Portugal com a tarefa de recrutar missionários para irem para o exterior.

Em janeiro de 1542, o rei doou o mosteiro de Santo Antão-o-Velho (Mouraria, Lisboa), que foi a primeira casa que a Companhia de Jesus teve no mundo e também o seu primeiro colégio em Portugal.

Colégio de Santo Antão-o-Velho | Colégio de Santo Agostinho | Exterior | Fachada poente | Eduardo Portugal s.d. © CML | DMC | Arquivo Municipal de Lisboa
Colégio de Santo Antão-o-Velho | Colégio de Santo Agostinho | Museu de Lisboa | Maqueta de Lisboa antes do Terramoto de 1755 | Pormenor | José Vicente

Em julho de 1542, Simão Rodrigues fundou o Colégio de Jesus, em Coimbra (mais tarde daria origem ao imponente  Real Colégio das Artes e Humanidades), e preparou a fundação do colégio do Espírito Santo, em Évora. Os três colégios já contavam com 240 a 250 jesuítas em 1551.

Primeira pedra do Colégio de Jesus (Coutinho, J.E.R. 2003. Sé Nova de Coimbra. Colégio das Onze Mil Virgens.Igreja de Jesuítas. Coimbra, Paróquia da Sé Nova, pg. 34)
Complexo jesuítico: à esquerda o Colégio de Jesus, à direita o Colégio das Artes e, atrás deste, o refeitório com ligação direta aos dois colégios
In Imago Collegii, in Societate Iesu omnium primi, á Ioanne III Lusitaniae Rege Conimbricae fundati / Carolus Grandi scul Romae 1732.
Lisboa, Bibliioteca Nacional.

Simão Rodrigues promoveu uma expansão notável das missões no exterior.


A partir de 1545 enviou sucessivas expedições ao Oriente, com um total de 35 missionários. Juntamente com D. João III e Inácio de Loyola, participou nas primeiras negociações sobre a missão etíope; enviou quatro companheiros ao Congo para ali fundar a missão em 1547; três para Ceuta e Tetuão para serem dedicados aos cativos em 1548; Manuel da Nóbrega e cinco companheiros, para fundar a missão brasileira em 1549, e uma segunda expedição de quatro missionários em 1553. Promoveu também missões populares nas diferentes regiões de Portugal.

O Rei tinha tanta estima por Rodrigues que o nomeou preceptor do filho em 1545 (conseguiu afastar Damião de Góis da função de mestre de letras do mesmo príncipe). E em 25 de outubro de 1546, foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus em Portugal.

Durante os doze anos do seu governo, a Companhia de Jesus cresceu muito rapidamente em Portugal.

Simão Rodrigues foi acusado de ser muito tendencioso no seu governo, sendo, entre outras acusações, acusado de falhas de obediência. Em 1552, foi deposto do cargo de Provincial, o que agravou ainda mais a situação.

Embora resistisse em partir para Espanha, como Provincial de Aragão, tendo o rei o advertido a obedecer. Visitou as casas de Saragoça, Barcelona, ​​​​Valência e Gandía.
Com o agravamento da sua saúde, regressou sem autorização a Portugal em 1553. Considerando a sua presença prejudicial, o Provincial Diego Mirón ordenou-lhe que abandonasse o reino e fosse para Roma. Pouco depois da sua chegada, Rodrigues começou a queixar-se de alguns jesuítas em Portugal, que lhe tinham feito acusações contra ele e ao seu governo.

Rodrigues propôs a Ignacio de Loyola que submetesse o seu caso a julgamento, pois em sua consciência se considerava inocente daquilo de que era acusado. O julgamento durou pouco mais de dois meses e a sentença foi pronunciada (7 de fevereiro de 1554).

Os juízes enumerando os seus erros, impuseram-lhe duras penas, que Rodrigues aceitou humildemente. Ignacio de Loyola retirou-lhe as penas e apenas permitiu que ele não voltasse a Portugal. No entanto, Rodrigues procurou mais tarde que o Papa, como Superior supremo da Companhia de Jesus, confiasse a sua causa ao cardeal protetor para regressar com honra a Portugal. Rodrigues passou durante algum tempo triste no norte da Itália, com a memória da sua reputação perdida.

O Geral Diego Laínez mostrou-se inclinado a satisfazer o desejo de Rodrigues de regressar a Portugal, para o qual escreveu (1564) aos Padres Portugueses solicitando a sua opinião, mas ainda não foi considerado adequado. Simão Rodrigues foi para a Espanha e fixou residência em Andaluzia a partir de 1564 e em Toledo a partir de 1570, já muito melhor espiritualmente.

Por sua vez, o Padre Geral Borja, como prova de confiança (1 de janeiro de 1572) tomou medidas para preparar o regresso de Rodrigues à sua terra natal, mas Borja morreu (3 de setembro , 1572) sem tê-lo concluído. O seu sucessor Everardo Mercúriano executou o projeto de Borja e permitiu-lhe (29 de julho de 1573) o seu regresso a Portugal.
Após vinte anos de ausência, Rodrigues chegou ao Colégio de Coimbra, em 24 de setembro de 1573. Informou o Geral sobre a situação da Província e sugeriu os meios para resolver a crise. Rodrigues continuou interessado no bem da província. Apesar de ter recusado o cargo de Superior, continuou a contribuir com os seus conselhos para o bom andamento das comunidades.

Viveu os seus últimos anos na Casa Professa de São Roque, de Lisboa, onde morreu a 15 de junho de 1579, tendo ficado sepultado na igreja de S. Roque.

Uma inscrição junto à entrada da Sacristia da Igreja de S. Roque assinala, ainda hoje, o local onde repousam os seus restos mortais.

Sepultura do P. Simão Rodrigues, fundador da Companhia de Jesus em Portugal.
Na parede do cruzeiro da Igreja de S. Roque de Lisboa, do lado do Evangelho e à esquerda da porta de comunicação com o corredor da Sacristia, está um painel cuja moldura é de mármore negro, a faixa de mármore amarelo e a tabela de mármore de Carrara. @franciscabrancoveiga

O epitáfio do padre Simão Rodrigues foi mandado gravar na tabela do painel, sendo as letras douradas e o seu teor o seguinte:

OSSA P. M. SIMONIS
RODERICI PIAE RECORDA-
TIONIS, QUI PROVINCI-
AM HANC LUSITA-
NAM FUNDAVIT, PRIMUS
IN EA PROVINCIALIS,
UNUS E NOVEM
B. P. N. IGNATII SOCIIS.
OBIIT IN HAC DOMO
XV. JULII MDLXXIX

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VEIGA, Francisca Branco, SIMÃO RODRIGUES (primeiro Provincial da Companhia de Jesus em Portugal)(blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [15 de Setembro de 2024].

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A ligação da Companhia de Jesus a Santo António

Visão de Santo António
de Anthony Van Dyck

«Visto ser Santo António, nosso natural, seu dia de guarda em todo o Reino, no seu dia aja em nossa igreja pregação, e seja festejado nela com toda a adoração».

Pe. António de Sousa S.J., Assento da Visita ao Colégio de Jesus de Bragança, 1641.

Fachada do Colégio dos Nobres 
(Mnémosine Lusitana/Jornal de Bellas Artes, nº26, 1817)

Na Quinta do Monte Olivete foi iniciado o primeiro Noviciado da Província Portuguesa, sob o título de Nossa Senhora da Assunção, no dia 18 de Dezembro de 1597, festa de Nossa Senhora do Ó.
Verifiquei que existiam diversas conotações do Noviciado da Cotovia com Santo António, pois teve como primeiro Reitor o Pe António de Mascarenhas (ainda no período em que o edifício se encontrava em construção e os jesuítas que o iriam habitar se encontravam em Campolide) e como primeiro noviço, António de Azeredo, um fidalgo que lutou em Alcácer-Quibir.
A inauguração do Noviciado coincidiu com o dia 13 de Junho de 1619, festa de Santo António.
Após inauguração definitiva, que se fez na Capela de Santo António, a nomeação do primeiro Reitor recaiu na pessoa do Pe António de Morais que entrou na Companhia de Jesus em 1586 e tinha desempenhado o cargo de Mestre de Novicos em Coimbra.
À inauguração presidiu o Provincial, Pe António de Mascarenhas, que tinha ocupado o lugar de primeiro Reitor na época de Campolide.
O padre e jesuíta António Franco narra, em pormenor, a cerimónia da inauguração:

«Tudo foy pondo em execução o irmão Lombardo, e no anno de mil seiscentos, e dezanove tinha acomodado a caza em forma, que pudessem nella entrar a viver os Noviços. Por tanto se dispoz a nova dedicação em dia de Sancto Antonio do dito anno. Neste dia estava bem armada a Capella interior da Caza nos corredores de sima. Nella se armou altar com imagem de culto do glorioso Sancto Antonio. Tinhão vindo de Coimbra nove Irmãos Noviços, e seis de Evora, com os quais se deu principio ao Noviciado».

Imago Collegii, in Societate Iesu omnium primi, á Ioanne III
Lusitaniae Rege Conimbricae fundati,
Igreja e colégios de Jesus e das Artes
Carlo Grandi, Roma,
Gravura (água-forte),
1732: BNL
Pe. Simão Rodrigues

A 13 de Junho de 1542, dia de Santo António de Lisboa, como se lê nas crónicas da Companhia de Jesus, chegava a caravana apostólica a Coimbra, chefiada pelo Mestre Simão Rodrigues. Nas crónicas da Companhia lê-se o seguinte:
«Entrou o Pe Mestre Simão com esta sua nova e religiasa colonia em Coimbra, dia de S. Antonio nosso Português (que também foy outro bom prognostico) a quem não só Lisboa, patria sua, mas todo Portugal, e em especial a cidade de Coimbra festeja com grande devoçam penhorada com honra dobrada, por lhe ter este glorioso Lisbonês, com sua sancta presenca, consagrados dous mosteiros da mesma cidade…».*

*Historia de la fundacion del collegio della Compania de lesus de Coimbra ate 1575, Biblioteca Pública de Évora.

Colégio do Santíssimo Nome de Jesus, estabelecido em 1542 pela Companhia de Jesus, foi o primeiro Colégio da Ordem em Portugal . A sua igreja (Sé Nova de Coimbra) também tem uma capela dedicada a Santo António, mandada erigir no dia 15 outubro de 1633.

Sé Nova de Coimbra – Interior: capela lateral de Santo António.
In https://servicos.dgpc.gov.pt/pesquisapatrimonioimovel/detalhes.php?code=70315

A própria Sé Velha pela qual os jesuítas passaram quando chegaram a Coimbra também tem uma capela dedicada a Santo António.

Capela de Santo António, na Sé Velha.
In https://pbase.com/diasdosreis/image/165164897

In https://museusaoroque.scml.pt/museu-igreja/capela-de-santo-antonio/

Na imagem podemos ver a Capela de Santo António na Igreja Jesuíta de São Roque, Lisboa. A existência duma capela dedicada a Santo António nesta igreja vem confirmar a devoção que a Companhia de Jesus professava a este Santo. Foi instituída por Pedro Machado de Brito que nomeou a Mesa da Misericórdia de Lisboa como testamentária, com o encargo de mandar construir uma capela para sua sepultura e dos seus descendentes.
Nas paredes laterais da capela destacam-se duas grandes telas executadas por Vieira Lusitano, por volta de 1720, com cenas alusivas ao célebre milagre da “Pregação aos peixes” e à “Visão de Santo António”. Em 1693, floresceu a Congregacão de Santo António que teve como principal objetivo a promoção do culto ao Santo.

Estes são alguns exemplos, mas o testemunho desta grande devoção da Companhia de Jesus a Santo António pode ser visto em outras igreja que pertenceram a esta Ordem religiosa, são os casos da capela na igreja do Espirito Santo de Évora, da capela da igreja do colégio de São Tiago de Faro ou da capela da igreja do colégio de São Tiago de Elvas.

Imagem de destaque:

Visão de Santo António
de Anthony Van Dyck

Como referir este artigo:

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VEIGA, Francisca Branco (2024), A ligação da Companhia de Jesus a Santo António (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [14 de Junho de 2024].

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1814, MÉMOIRES DO CONSERVADORISMO EUROPEU NUMA EUROPA EM TRANSIÇÃO PARA O LIBERALISMO

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar o processo histórico legitimista e contrarrevolucionário estabelecido em 1814, após as reformas expansionistas e liberais implementadas por Napoleão Bonaparte, mais concretamente a defesa do princípio da legitimação reclamada pelos filósofos conservadores e defensores do tradicionalismo como Edmund Burke, Barruel, Louis Bonald ou Joseph de Maistre e a Companhia de Jesus, como a “alma” da contrarrevolução.

Foi seguida uma metodologia cronológico-evolutiva na reconstrução do período histórico em análise, seguindo os estudos de historiadores de relevo para a história política e religiosa.

O “novo” projeto europeu saído do Congresso de Viena serviu como instrumento factual na afirmação dos ideais tradicionalistas e conservadores, mas «as velhas casas dinásticas», tinham o destino traçado perante os ideais do liberalismo.

Palavras-chave: Congresso de Viena; conservadorismo; filosofia contrarrevolucionária; Companhia de Jesus; D. João VI.

Abstract

This article aims to analyze the legitimist and counter-revolutionary historical process established in 1814, after the expansionist and liberal reforms implemented by Napoleon Bonaparte, more specifically the defense of the principle of legitimation claimed by conservative philosophers and defenders of traditionalism such as Edmund Burke, Barruel, Louis Bonald or Joseph de Maistre and the Society of Jesus, as the “soul” of the counterrevolution.

A chronological-evolutionary methodology was followed in the reconstruction of the historical period under analysis, following the studies of important historians in political and religious history.

The “new” European project that emerged from the Congress of Vienna served as a factual instrument in the affirmation of traditionalist and conservative ideals, but “the old dynastic houses” had their destiny set before the ideals of liberalism.

INTRODUÇÃO

Le congrès de Vienne.
ISABEY Jean-Baptiste (1767 – 1855). Musée du Louvre

Após Waterloo as monarquias conservadoras depostas/exiladas voltam a subir ao trono, pretendendo-se o restabelecimento do princípio da legitimidade monárquica. O programa de uma Santa Aliança como mecanismo regulador terá então como objetivo a contenção de novos focos revolucionários.

O novo concerto europeu reagia contra as novas doutrinas iluministas (o cientificismo, o racionalismo, o ateísmo ou o progressismo que se instalaram na doutrina do iluminismo), que pretendiam derrubar as instituições tradicionais do Antigo Regime. À crítica à política racional aliam o elogio sistemático da tradição e exaltação do passado onde a religião e a Igreja tradicionais eram vistas como garantia da conservação política e social.

Ao cabo de mais de quatro décadas de supressão, em 1814 «O mundo católico exige com unanimidade o restabelecimento da Companhia de Jesus». Assim sustentava o Papa Pio VII, por meio da Bula Pontifícia Sollicitudo omnium Ecclesiarum, lida no dia 7 de agosto de 1814 na Igreja de Gesù, restabelecendo a Companhia no mundo.

Embora renascida num contexto político diferente e numa sociedade em processo de secularização, vai servir o ideário restaurador da Santa Aliança. Tendo ainda em mente o antigo modelo de cristandade e de sociedade, a Companhia de Jesus manteve-se substancialmente a mesma tanto na sua espiritualidade como na sua idealização face ao poder centralizador. Em Portugal, a memória negativa dos Jesuítas persistia no governo de D. João VI, encontrando-se enraizada na elite intelectual.

As explicações metafísicas do mundo já não se coadunavam com o mundo da experiência e com a consciência crescente do condicionalismo histórico do respetivo momento.

Este artigo explorará e examinará o processo histórico e o movimento ideológico tradicionalista, adotado após as reformas expansionistas e liberais implementadas por Napoleão Bonaparte.

A literatura que se seguiu dos diversos conservadores e defensores do tradicionalismo como Edmund Burke, Barruel, Louis Bonald ou Joseph de Maistre,  serviu de sustentação na clarificação ideológica assumida na restauração das monarquias, neste período de paz relativa, contra os «embriões revolucionários que existem mais ou menos em todos os Estados da Europa» (Hobsbawm  2001; Rémond 1994; Baumer 1990).

Depois de fazer um levantamento bibliográfico do tema sentimos ser pertinente efetuar uma nova recolha de informação que torne evidente as palavras-chave aqui destacadas: Congresso de Viena; conservadorismo; filosofia contrarrevolucionária; Companhia de Jesus; D. João VI., com uma nova perspetiva de análise que o tema merece, tendo como enfoque principal a luta contra a reivindicação das liberdades, na defesa dos ideais conservadores e de manutenção do status quo que a Igreja Católica Romana estatuíra.

Podendo delimitar o estudo do objeto de análise do presente artigo, no contexto europeu, no período representativo do Congresso de Viena, o caso em concreto do corpus deste artigo focar-se-há na génese e maturação do tradicionalismo filosófico-político, doutrinário e contrarrevolucionário e na restauração da Companhia de Jesus como representantes da “alma” da contrarrevolução.

Como orientação na organização da nossa análise histórica, optámos por uma abordagem interpretativa e demonstrativa do processo histórico e da causalidade desse processo na construção do projeto europeu,, sob a égide de monarquias conservadoras e de alianças entre o Trono e o Altar.

Este estudo busca lançar luz sobre a complexa e velha estrutura que moldou o destino da nova Europa do Congresso de Viena. …

In Mátria XXI, nº 13, 2024

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VEIGA, Francisca Branco (2024), 1814, MÉMOIRES DO CONSERVADORISMO EUROPEU NUMA EUROPA EM TRANSIÇÃO PARA O LIBERALISMO (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [11 de Junho de 2024].

A expulsão dos Jesuítas em desenhos de critica política (1766/1882/1910)

1766

1766. Sebastião José de Carvalho e Melo, 1.º Marquês de Pombal (1699-1782).
Louis-Michel van Loo (1707-71) e Claude-Joseph Vernet (1714-89).
Museu da Cidade. Palácio Pimenta, Lisboa.

Descrição:

Este retrato foi encomendado por dois comerciantes abastados, Gerard Devisme, inglês, e David Purry, suíço, sendo ambos beneficiados pela política de Pombal, pretenderam louvar a vida e a obra do Marquês.
Ministro de D. José I, durante 27 anos (1750-1777), é a figura representante do Despotismo Iluminado português. Nesta pintura, a sua mão esquerda aponta para o Tejo, numa alusão direta à expulsão dos Jesuítas (vista como obstáculo às reformas, esta Ordem ordem foi expulsa do império português em 1759), ao controlo do Tribunal do Santo Ofício e à submissão da Igreja portuguesa. Vemos o Mosteiro dos Jerónimos como obra representante da reafirmação e vocação atlântica do reino português. Após o terramoto de 1755, e segundo os princípios do racionalismo iluminista , teve mão de ferro e espírito pragmático ao coordenar eficazmente a reconstrução de Lisboa, podendo visualizar-se simbolicamente esse espírito na estátua equestre de D. José, que se encontra no centro da nova “Praça do Comércio”, que substituiu o velho “Terreiro do Paço”, como também nas plantas que repousam debaixo da sua mão direita e sobre a banqueta, que se encontra à sua frente.

1882

“A Expulsão dos Jesuítas”
Litografia
Vejam Vóssorias o que eu faria se fosse o sr. marquez de Pombal …
Ass: “Raphael Bordallo Pinheiro”
Periódico O António Maria, 11.05.1882, pp. 148-149

O Zé Povinho vestido de marquês de Pombal, à imagem da pintura que se encontra acima, a fazer sair da barra de Lisboa os jesuítas. Neste desenho, o seu braço direito repousa sobre um panfleto com a indicação “Ensino Livre”. Nesse sentido, fundou a Aula do Comércio, o Real Colégio de Nobres e criou e distribuiu por todo o país 497 postos de “mestres de ler e escrever”. Reformou a Universidade de Coimbra, até aí controlada pela escolástica jesuítica.

1882 marca a data das comemorações do centenário de Marquês de Pombal. Esta data foi utilizada pela Maçonaria como símbolo do nacionalismo português e convenientemente aproveitada para uma campanha contra a Companhia de Jesus com a criação de ligas antijesuíticas por todo o País.

Em tom épico, Bordalo Pinheiro pretende mostrar como o Marquês de Pombal, ao expulsar os jesuítas, ambiciona devolver a Portugal a confiança e o progresso.

1910


Título: “A expulsão dos Jesuítas em 10 de Outubro de 1910” – bilhete postal com ilustração satírica alusiva às políticas anticlericais de Afonso Costa.

Seguindo ideologicamente o Marquês de Pombal, a postura de Afonso Costa e a composição lembram a pintura do século XVIII de Louis-Michel van Loo representando o Marquês de Pombal – traçando um paralelo entre os dois indivíduos. A alcunha de “mata-frades” dada a Afonso Costa pelos seus opositores reflete a intensidade com que este político levou a tarefa de demolir o poder da Igreja após o 5 de outubro.

No dia 8 de outubro de 1910 os Jesuítas foram novamente expulsos. O historiador jesuíta Francisco Rodrigues, recorda as diversas dificuldades porque passaram os seus irmãos no exercício das suas atividades: 

«As leis pombalinas que ainda se mantinham de pé e a cada momento se ouviam citar para ameaço de extermínio, obrigavam-na a retrahir-se prudentemente, a viver como escondida, sem poder levantar o rosto com desassombro nem sequer declarar abertamente o seu nome. Por outro lado, as antipathias nascidas de velhos preconceitos, enraizadas em tantos espíritos, que facilmente se assustavam com o espectro jesuitico, a falta de protecção oficial, antes não raro a má vontade dos governantes, de quando em quando a perseguição declarada e a continua vexação de uma imprensa adversa e desenfreada, eram obstáculos em demasia, que peava o desenvolvimento da nova Corporação e lhes atavam as mãos e tolhiam os movimentos necessários ao seu progresso. Contudo, não obstante as remoras que lhe impediam o passo, chegou pela força da sua vitalidade a dirigir uns dezoito estabelecimentos de formação, além dos multiplicadíssimos ministérios sacerdotaes que exercia no reino e missões em esfera cada dia mais vasta» (RODRIGUES 1917: 556) 

Todas as atividades dos jesuítas foram interrompidas drasticamente, com a restauração das leis pombalinas de 1759 e de Joaquim António de Aguiar de 1834. Estas tinham criado na sociedade portuguesa um ambiente de desconfiança e de hostilidade em relação à Igreja católica, e em particular aos jesuítas. Posteriormente, uma série de medidas deram força de lei à política de dessacralização da sociedade (CARVALHO 2013).
In summa, no outono de 1910 a Companhia de Jesus foi pela terceira vez expulsa e espoliada dos seus bens em Portugal.

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VEIGA, Francisca Branco (2024), A expulsão dos Jesuítas em desenhos de critica política (1766/1882/1910)(blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [05 de Junho de 2024].

JOSÉ ANCHIETA (1534 – 1597): curiosidades acerca do humanista

Do Brasil escreve aos seus irmãos de fé: 

«Não basta sair de Coimbra com um fervor que logo murcha, antes mesmo de cruzar o equador e desejar voltar para Portugal. É necessário ter os alforjes cheios para durar até ao final do dia»

Gravura anónima do “Venerabilis P. Ioseph Anchieta e(x) Societate Iesu”. In Simão de Vasconcelos, Vida… (Lisboa, 1672).

Foi, ainda noviço para o Brasil, a 8 de maio de 1553, na 3.ª Expedição de Missionários Jesuítas, chefiada pelo Padre Luiz de Grã e na armada de Duarte Góis.

José de Anchieta e outros religiosos subiram a Serra do Mar rumo ao Planalto, onde se instalaram. A inauguração do barracão do planalto deu-se junto a uma aldeia de índios no dia 24 de JANEIRO de 1554, dia da conversão do Apóstolo São Paulo, local onde os jesuítas precisavam de tradutores e de intérpretes da língua indígena Tupi. No local, Nóbrega com a ajuda de Anchieta celebraram uma missa, em homenagem ao Santo – dava-se início à FUNDAÇÃO da cidade de SÃO PAULO.

Em 1566, Anchieta foi ordenado padre. Dirigiu o Colégio dos Jesuítas no Rio de Janeiro entre 1570 e 1573 e foi Provincial da Companhia de Jesus no Brasil durante dez anos.

A 9 de julho de 1597, José de Anchieta faleceu em Reritiba (atual Anchieta), aldeia que fundara, no Estado do Espírito Santo (Brasil).

Em 1611, os seus restos mortais foram transladados: uma parte, para o Colégio da Baía, a outra, para Roma.

Na Conferência proferida na biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo, a 24 de setembro de 1896, na presença dos lentes da Faculdade, do Presidente do Estado, autoridades e representantes do clero, grande número de Senhoras e cavalheiros e sob a Presidência de João Monteiro, vice-director da Faculdade, Brazilio Machado descrevia o padre Anchieta da seguinte forma:

« Era o padre Anchieta de mediana estatura, de compleição robusto, porém, descarnado; tinha pouca barba, olhos azues, cabeça grande; seu aspecto, tão magestoso quanto affavel, inspirava, em quantos o conversavam, confiança e amor!»*

Obra que integra o acervo do Museu Paulista da USP. Coleção Fundo Museu Paulista (Museu do Ipiranga) – FMP, 1920.
“Às estrelas por caminhos difíceis” – A frase em latim no quadro de José Anchieta, de autoria do pintor Oscar Pereira da Silva (1865-1939), é um dos lemas fundamentais na Companhia de Jesus.

Em 1595, escreveu «Arte da Gramática da Língua mais Conhecida na Costa do Brasil», o tupi-guarani, que foi publicada em Coimbra, por Antônio Mariz, em 1595. Esta obra teve um caráter pioneiro pela sua importância para o conhecimento do tupi falado no século XVI, a qual era, até então, exclusivamente oral. Outro jesuíta, como por exemplo, o padre basco João de Azpilcueta Navarro compôs os primeiros hinos religiosos nas suas pregações aos indígenas.

In http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_obrasraras/or812098/or812098.pdf

Índice

  1. Das letras – Cap. I 
  2. Da ortografia ou pronunciação – Cap. II 
  3. De accentu – Cap. III 
  4. Dos nomes – Cap. IIII 
  5. Dos pronomes – Cap. V 
  6. Dos verbos – Cap. VI
  7. Anotações, na conjugação – Cap. VII 
  8. Da construção dos verbos ativos – Cap. VIII 
  9. De algumas maneiras de verbos em que esta anfibologia se tira – Cap. IX 
  10. Das preposições – Cap. X 
  11. De sumesfui – Cap. XI 
  12. Dos verbos neutros feitos ativos – Cap. XII 
  13. Dos ativos feitos neutros – Cap. XIII 
  14. Da composição dos verbos – Cap. XIIII 
  15. Da repetição dos verbos – Cap. XV 
  16. De alguns verbos irregulares de  – Cap. XVI 

José de Anchieta : Padre Jesuíta e Apóstolo do Brasil
Date: [18–]
Description: “Nascido a 7 de abril de 1534 em Teneriffe, Fallecido a 9 de junho de 1597…”
Zincogravura, p&b
In https://acervobndigital.bn.gov.br/sophia/index.html

*In III Centenário do Veneravel Joseph Anchieta, 1900.

José de Anchieta e o Nascimento da Tradição Natalícia no Brasil

São José de Anchieta foi um verdadeiro pioneiro das artes e da evangelização no Brasil, destacando-se também na representação do mistério do Natal. Em 1553, ainda como noviço jesuíta, apresentou pela primeira vez no país a cena do Presépio, em São Vicente, no actual estado de São Paulo, dirigindo-se aos indígenas e aos filhos dos colonos portugueses. Este facto é registado com rigor pelo Santuário Nacional de São José de Anchieta, situado na cidade Anchieta que hoje tem o seu nome.

Para a construção do Presépio, Anchieta envolveu os indígenas da região, valorizando as suas técnicas tradicionais de cerâmica. Desta forma, soube transmitir ao catolicismo nascente no Brasil a antiga tradição natalícia medieval, iniciada por São Francisco de Assis em Greccio, na Itália, no ano de 1223 — uma herança espiritual que chegou até aos nossos dias, apesar das profundas crises religiosas que marcaram a Igreja após o Concílio Vaticano II.

Primeiro presépio da História, criado por São Francisco de Assis no Natal de 1223, na localidade de Greccio, em Itália.
A imagem reproduz a Natividade (1490), o imponente presépio em terracota policromada do escultor italiano Andrea della Robbia, conservado na igreja de Santa Maria degli Angeli, no Santuário de La Verna, em Arezzo, Itália. Com grande delicadeza, a cena apresenta Jesus rodeado pela Virgem Maria, São José, São Francisco e Santo António de Lisboa.
“Presépio Franciscano”
Vista Alegre

A pedido do Padre Manuel da Nóbrega, José de Anchieta escreveu igualmente uma peça teatral de Natal, cuidadosamente adaptada à realidade e à sensibilidade dos índios de São Lourenço, localidade que corresponde hoje à cidade de Niterói.

Nesta obra, o grande Apóstolo do Brasil não hesitou em denunciar o estado moral e espiritual desses povos, imaginando um diálogo tocante entre um pecador — o indígena — que se aproxima do Presépio e do Menino-Deus, descrito com ternura como “o menino mui formoso, santo menino, nas palhinhas deitado para salvação do pecado”. Através desta linguagem simples e profundamente humana, Anchieta procurava tocar os corações e conduzi-los ao mistério redentor do Natal.

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VEIGA, Francisca Branco, Padre JOSÉ DE ANCHIETA (1534 – 1597) (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [02 de Maio de 2024].

https://www.youtube.com/TertuliasPortugalBrasil (Ep. 87)

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Fachadas das Igrejas Jesuítas em Portugal

O objectivo principal na construção de um edifício religioso/escolar da Companhia de Jesus baseou-se em criar um conjunto equilibrado que incluísse diversos espaços para os vários grupos que o habitavam.

Os jesuítas dedicaram desde sempre cuidados especiais no tratamento das fachadas das suas igrejas. No séc. XVI, dominavam nas fachadas jesuítas os valores planimétricos, sem qualquer elemento decorativo, no seguimento dos ideais saídos do Concílio de Trento e como reflexo dos ideais jesuítas de pobreza e simplicidade. Mas a partir de meados do séc. XVII surgem nas fachadas efeitos escultóricos e rítmicos, com a introdução de nichos que albergavam estátuas de santos da Companhia. A preocupação de criar modelos de fachadas tinha como intenção a propagação da fé e de modelos de santidade.

Os jesuítas, considerando a pregação da Palavra de Deus como prioridade de toda a acção pastoral tornaram a igreja numa igreja de pregação, catequista, contra a Reforma Protestante que se espalhava por toda a Europa.

igreja de Gesú, em Roma, tornou-se o modelo arquitectónico a seguir, aquele que traduz as leis e as regras da Companhia de Jesus.

Arquiteto
Giacomo Barozzi da Vignola, Giacomo della Porta
Início da construção
1568
Fim da construção
1580

Seguidamente, iremos mostrar alguns exemplos de fachadas de Igrejas Jesuítas em Portugal.

I – Paço Real de Santarém / Colégio de Nossa Senhora da Conceição / Seminário de Santarém / Catedral de Santarém / Sé de Santarém

1673 – o projeto da fachada foi aprovado em Roma, pelo Geral da Companhia, sendo atribuível a João Nunes Tinoco.

A fachada principal tem afinidades compositivas com a Sé Nova de Coimbra, com estrutura tripartida, flanqueada por dois panos, que corresponderiam às torres sineiras, não construídas, rasgada por três portais de verga reta e vazada por janelas e nichos, contendo os principais Santos da Ordem, rematada por tabela com a imagem do orago, flanqueada por aletas e rematada em frontão de lanços.

Nos nichos, podemos ver as imagens de Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier e São Francisco de Borja e São Luís Gonzaga.

A fachada possui várias inscrições, alusivas aos santos da Ordem e às Litanias Marianas, bem como datas de construção e reforma.

Fotografias: Francisca Veiga

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II – Colégio do Espírito Santo / Colégio da Companhia de Jesus / Universidade de Évora

A construção desta igreja resultou da fundação do Colégio do Espírito Santo, da Companhia de Jesus, instituído na cidade de Évora, na segunda metade do século XVI.

Iniciou-se em 4 de outubro de 1566, sacrificando-se o primitivo Convento do Salvador (de freiras clarissas).

A fachada, de aspeto pesado e imponente, em estilo chão, ritmada por pilastras toscanas colossais e rematada por frontão triangular sobre um óculo, seguiu o esquema da primeira fase construtiva da Companhia de Jesus, constituindo a única diferença a solução de galilé (caso único na arquitectura dos jesuítas em Portugal), com acesso por arcadas.

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III – Igreja e Colégio de São Lourenço / Igreja e Convento dos Grilos / Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição (Porto)

1690 – início da construção da atual fachada principal da igreja.

1709 – conclusão da fachada principal da igreja.

Em dia de S. Lourenço do ano de 1570, os jesuítas lançaram a primeira pedra da sua igreja e colégio nas imediações do Paço Episcopal, em estilo maneirista barroco-jesuítico, financiados por doações de fiéis, assim como por Frei Luís Álvaro de Távora, Comendador de Leça do Balio, da Ordem de Malta, cujo brasão de armas encima a fachada principal.

Fachada com dois registos marcados por entablamento, e estrutura tripartida, definida por pilastras, desenvolvendo-se, em cada pano, uma composição simétrica de vãos alinhados, compostos por portais, janelões, nichos e janelas fingidas.

Apresenta torres sineiras, desenvolvidas a partir de aletas no segundo registo, dando a ilusão de escalonamento da fachada.

A monumental fachada principal da igreja cria um espaço cenográfico face ao pequeno largo onde se implanta, ajudando a acentuar a sua verticalidade, também conseguida pelo facto da fachada se desenvolver acima da cobertura, criando vãos rectangulares abertos sem funcionalidade.

Possui um esquema único de implantação das sineiras, que se desenvolvem a partir dos panos laterais da fachada principal, ligeiramente recuadas e sobre as aletas que flanqueiam o remate.

Fotografias: Francisca Veiga #franciscabrancoveiga #franciscaveiga #historia4all #ConventodosGrilos #fachadasdeigrejasjesuitas

IV – Colégio de São Sizenando / Colégio de São Francisco Xavier / Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Portimão

1659, 26 Agosto – carta de doação onde Diogo Gonçalves lega todos os seus bens à Companhia de Jesus, pretendendo, através desta, fundar uma casa de ensino na sua terra natal, Vila Nova de Portimão.

1660, 21 Outubro – lançamento da 1ª pedra; o fundador, Diogo Gonçalves, dedica a igreja a S. Francisco Xavier, apóstolo da Índia; o projecto e traça pertence ao Padre Bartolomeu Duarte, matemático jesuíta e herdeiro do fundador, contando ainda com contributos do arquitecto João Nunes Tinoco; de Lisboa veio o construtor António Gonçalves.

1707, 3 Março – é inaugurada a igreja do Colégio onde se contou com uma novena matinal dedicada ao seu padroeiro, S. Francisco Xavier, e vários sermões pregados pelos religiosos do Colégio e pelo Padre Lente de prima de Moral, de Faro.

Segundo a inscrição no túmulo de D. Diogo Gonçalves, a cerimónia do lançamento da primeira pedra teve lugar em 21 de outubro de 1660. Em maio de 1663, este obteve do Geral da Companhia de Jesus o reconhecimento oficial como fundador do colégio. Em 13 de março de 1664, elaborou o seu testamento, onde legou aos padres da Companhia de Jesus uma renda anual no valor de 300 mil Réis, dez moios de trigo, um lagar de azeite em Estômbar e vários terrenos. D. Diogo Gonçalves falece em 17 de junho desse ano, aos 73 anos de idade, não chegando a ver o edifício concluído. O colégio começou a funcionar em 1704, de forma provisória.

A igreja foi inaugurada ao culto em 3 de março de 1707, e em agosto desse ano o colégio foi definitivamente aberto.

Fachada

Fachada principal voltada a Sul, simétrica e escalonada, constituída por um corpo central saliente e dois laterais mais pequenos e ligeiramente recuados, sendo o corpo central dividido verticalmente em 3 partes, separadas entre si por duplas pilastras de pedra lisa assentes em peanhas, com quatro registos vazados na parte central, três nas partes que a ladeiam e dois nos corpos adossados, divididos por cornijas, em pedra entre o primeiro e o segundo, e em alvenaria entre os restantes, e limitados por cunhais apilastrados em cantaria com pedra rusticada no corpo central e em alvenaria nos adjacentes.

A parte central, apresentando um embasamento em pedra, correspondente à igreja, tem no registo inferior três portais, com acesso por quatro degraus, em cantaria de verga, definindo cada um deles os três panos que a constituem, sendo os laterais simples, com frontão circular, e o principal, o maior destes, coroado por frontão interrompido com coroa real em pedra e cruz gravada; os registos seguintes, por janelas de cantaria e com guarda de ferro, rasgadas até ao nível do pavimento e com bandeira no segundo registo; o último por frontão com arco de querena, com óculo oval e uma pedra abrasonada ao centro envolvidos por um trabalho em massa, sendo encimado por uma cruz de pedra; as partes que ladeiam a central têm cada uma três panos, situando-se os portais, de cantaria de verga simples, no pano que se encontra mais próximo do centro da fachada, sendo os restantes panos ocupados por janelas; o segundo registo, com janelas de cantaria rasgadas até ao nível do pavimento e com bandeira; o terceiro registo termina obliquamente acompanhando a inclinação das águas do telhado, tendo apenas uma janela situada no pano do portal.

Gravura: Gravura de 1813 com uma vista panorâmica de Portimão, então denominada de Villa Nova de Portimão, na região do Algarve, em Portugal. Foi provavelmente feita com base num ponto de vista a partir de Ferragudo, tendo em primeiro plano o estuário do Rio Arade. No centro, destacando-se do casario, são claramente visíveis os edifícios da Igreja Matriz e do Colégio dos Jesuítas. Biblioteca Nacional de Portugal.

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V – Colégio dos Jesuítas / Câmara Municipal e Tribunal de Comarca de Gouveia

15 Agosto 1723 – fundação do Colégio, dedicado à Santíssima Trindade, pelo Mestre de Campo António de Figueiredo Ferreira.

9 Setembro 1734 – contrato para a construção do colégio com os mestres António do Vale, de Gouveia, António Lourenço e Manuel do Vale, ambos de Caminha.

1739 – inauguração do colégio;

1 Julho 1743 – o Padre Bernardo Vieira era vice-superior e procurador geral do convento, residente nele.

Fevereiro 1759 – na data do sequestro dos bens dos Jesuítas, as obras não se encontravam concluídas e o edifício albergava apenas 5 religiosos.

Pertenceu ás nobiliárquicas famílias dos Távora e dos Figueiredo, como documentam os brasões sobre as duas portas laterais com as armas nacionais da época joanina.

Fachada

Fachada principal virada a Sul, com organização simétrica, a partir da zona central, tripartida, compondo o acesso à igreja, através de três portas de verga recta encimadas por janelas, as centrais a iluminar o coro-alto; os panos laterais possuem janelas rectilíneas, umas de maiores dimensões e mais decoradas, encimadas pela cornija do remate, alteada e curva, criando falsos frontões semicirculares, já de inspiração barroca, a marcar os corredores interiores de circulação. Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados, rematadas em friso, cornija e platibanda, e rasgadas regularmente por janelas rectilíneas, algumas de maiores dimensões, com solução semelhante às da fachada principal, a marcar os corredores, algumas delas de sacada.

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VI – Colégio de São João Evangelista. Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (São Pedro)

1567 – primeira visita dos Jesuítas ao Funchal

1569, 20 agosto – alvará régio de fundação do colégio, que recebia um dote anual de 600$000

1570, março – chegada dos Jesuítas ao Funchal para a fundação do colégio

1575, 23 Setembro – envio para Roma da planta geral do colégio e igreja para aprovação, sendo as primeiras traças atribuíveis a Mateus Fernandes, não sendo de descorar a hipótese de terem vindo de Lisboa, da autoria de Baltasar Álvares

1750 – chegam de Lisboa as imagens da fachada

Fachada

Igreja com fachada principal virada a Sul, rebocada e pintada de branco, com embasamento em cantaria, de disposição simétrica, integrando o corpo tripartido pelos vãos e duas torres sineiras ao mesmo nível, rematando o conjunto em empena com cruz latina no vértice, assente em plinto volutado.

O corpo divide-se em três registos separados por friso e cornija, o inferior rasgado por três portais com molduras de cantaria, flanqueados por pares de colunas toscanas assentes em plintos almofadados, suportando friso geométrico e frontão, nos portais laterais, de verga recta, de perfil triangular, e, no central, mais elevado e de volta perfeita, interrompido; o registo intermédio possui janelão central flanqueado por pilastras toscanas e encimado por frontão semicircular, ostentando avental de alvenaria enquadrando uma cartela em mármore branco com o “trigrama”, emblema da Companhia.

O conjunto é flanqueado por quatro janelas sobrepostas articuladas por cornija a sublinhar o duplo andar, as inferiores de varandim com guarda metálica; no terceiro piso, janela rectilínea central, encimada por armas nacionais em mármore, envolvidas por moldura fitomórfica e ladeado por dois nichos de volta perfeita assentes em pilastras toscanas e remates em cornija, contendo Santos da Companhia.

As torres dividem-se em três registos, demarcadas por três ordens de pilastras de cantaria regional e rematadas por eirados com balaustrada encimada nos cunhais por pináculos, tudo em cantaria; o primeiro registo, bipartido, possui nichos semelhantes aos anteriores, com imagens, surgindo, no segundo, duas janelas de varandim sobrepostas, repetindo o módulo do corpo da igreja; no piso superior, uma janela semelhante às anteriores.

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VII – Igreja do Salvador / Colégio de Santiago de Elvas / Igreja Paroquial do Salvador / Biblioteca Municipal de Elvas

1643, 4 Fevereiro – a fundação do colégio foi aprovada por D. João IV

1679 – é enviado o Padre Bartolomeu Duarte para riscar a igreja e novo colégio

4 Julho – o bispo Jerónimo Soares lança a primeira pedra do edifício

1692, 17 Agosto – inaugurada a igreja do colégio com solene procissão

18 Agosto – rezada a primeira missa no templo, pelo bispo D. Jerónimo Soares

FACHADA

Fachada principal a NorOeste., refletindo o interior, com três registos definidos por friso e cornija saliente, que se prolongam pelo alçado NO. do corredor adossado à direita; embasamento em pedra; três panos, definidos por pilastras sobre plintos, correspondentes, o central à nave, os extremos às torres sineiras rematados pelos corpos das sineiras mais elevados; panos das torres cegos, sineiras em arco de volta perfeita, pináculos nos eirados e catavento de ferro forjado coroando os coruchéus; pano central rasgado inferiormente por três portais em mármore, os laterais encimados por frontão curvo coroado de pináculo, o central, mais elevado, encimado por frontão interrompido; sobre este cartela inscrita, pétrea, de concheados e enrolamentos envolta por festão pendente; no registo intermédio rasgam-se três janelões, axiais aos portais, com vergas dupla encimadas por cornija saliente junto à linha da cornija divisória do alçado; no terceiro registo três janelões idênticos; remate em empena e cornija, coroada no vértice por cruz de pedra e com óculo moldurado rasgado no tímpano.

Inscrição comemorativa de doação gravada na cartela que encima o portal central da igreja. Sulcos das letras preenchidas com betume preto. Mármore. A altura a que se encontra impossibilita a obtenção de medidas.Tipo de letra: capital quadrada. Leitura modernizada: EL REI DOM AFONSO VI COMO GRÃO MESTRE E GOVERNADOR DA ORDEM DE AVIS FEZ MERCÊ COM LICENCA DO SUMO PONTÍFICE AOS RELIGIOSOS DA COMPANHIA DE JESUS DA ERMIDA DE SANTIAGO PARA NELA SE FUNDAR ESTA IGREJA – ANO DE MDCLIX.

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VIII – Colégio de São Paulo / Igreja de São Paulo e Seminário de Santiago / Seminário Conciliar de São Pedro e São Paulo / Museu Pio XII

BRAGA

ARQUITETOS: Padre Silvestre Jorge (1567); Gonçalo Dias (1586-87).

1560 – o Arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires doou o estabelecimento escolar com todas as rendas anexas, aos Padres da Companhia de Jesus, que consistiam nas igrejas de Santa Maria do Vimieiro e de São Salvador de Mazedo.

1563 – o Papa Pio IV, pela Bula “Superni dispositione” aprovou e confirmou o contrato de doação do Colégio de São Paulo, Estudos e Igreja à Companhia de Jesus.

1566 – preparativos para o início da construção da igreja.

31 outubro – início da construção da igreja.

1785 – o Arcebispo Gaspar de Bragança entregou o colégio às Ursulinas de Viana que aqui se estabeleceram até 1878.

1957 – o reitor do Seminário Cónego Luciano dos Santos fundou o Museu Pio XII, e atualmente serve de Casa Sacerdotal.

A fachada principal da igreja abre-se para o Largo de São Paulo, calcetado, situando-se a N. a Igreja Paroquial de Santiago da Cividade.

Igreja com fachadas em cantaria de granito aparente, com aparelho isódomo, à excepção da lateral S. e capela-mor, rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento saliente e rematadas por cornija e beiral, com cunhais apilastrados toscanos. Fachada principal orientada, de dois registos separados por friso, com três panos, definidos por dupla ordem de pilastras toscanas, sendo as dos extremos agrupadas em par; as pilastras do segundo registo, rematadas por pináculos piramidais com bola, suportam entablamento, interrompido ao centro por óculo, formando frontão triangular no remate, com cruz latina no vértice. O registo inferior possui, no pano central, portal em arco de volta perfeita, enquadrado por pilastras toscanas, emolduradas, rematado por entablamento, encimado por frontão triangular, com acesso por quatro degraus; o superior possui, nos panos laterais, janelas rectangulares assentes no friso de separação.

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IX – Igreja do Colégio de Nossa Senhora da Conceição de Campolide / Igreja Paroquial de Campolide / Igreja de Santo António

Arquitetura educativa, ecléctica. Colégio jesuíta composto por igreja (de planta longitudinal) à direita e edifício residencial de planta rectangular.

A igreja segue o modelo das igrejas das Ordens mendicantes em Portugal.

FACHADA DA IGREJA

A fachada da igreja é de corpo único, delimitado lateralmente por pilastras e rematado por frontão triangular, é de assinalar o portal, com ombreiras de cantaria e frontão curvo, encimado pelo grande óculo que ilumina o coro. Uma torre sineira de secção quadrada encontra-se adossada ao lado.

CRONOLOGIA

1858 – fundação do colégio da Companhia de Jesus de Campolide pelo padre Carlos Rademaker, numa quinta denominada da Torre, adquirida pela Companhia de Jesus ao poeta João de Lemos

1879, 8 de Dezembro – lançamento da 1ª pedra da igreja de Nossa Senhora da Conceição, anexa ao colégio com a mesma invocação

1884, 30 de Abril – inauguração da Igreja

1909 – colocação de relógio na torre sineira

1910, Outubro – extinção do colégio

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X – Colégio de São Francisco Xavier / Palácio Fryxell / Instituto Politécnico de Setúbal

FACHADA atual do Colégio de São Francisco Xavier

Localização aproximada da igreja de S. Francisco Xavier.


Lamentavelmente, a reprodução do layout arquitetónico da igreja do Colégio de Setúbal é inviável. Ao longo do tempo, diferentes ocupações e eventos naturais causaram mudanças significativas nos espaços, resultando na total obliteração da sua disposição e estrutura original, deixando para trás pouca ou nenhuma evidência física dessa organização.

No final do séc. XIX Alberto Pimentel e Augusto Pinho Leal dão-nos a conhecer mais um pouco acerca da localização da igreja:

– «Consta que era de boa arquitectura, e tinha a fachada voltada para o fundo da egreja parochial de Santa Maria» (Pimentel, 1877)*.

– «Era de boa architectura, tendo a frente para o fundo da egreja da Sra da Graça» (Pinho Leal, 1880)**.

*PIMENTEL, Alberto. Memória sobre história e administração do Município de Setúbal, Lisboa, C.M. de Setúbal, 1877.

**LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Diccionario geographico, estatistico, chorographico, heraldico, archeologico, historico, biographico e etymologico, de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal, Lisboa, Matos Moreira & Companhia, 1880.

CRONOLOGIA

1654, 1 Março – é nomeado um local para criação do Colégio, no sítio das Amoreiras, até à estrada que ia para o terreiro de Jesus; as despesas de construção seriam custeadas com esmolas da população

1655/56 – edificação da Igreja (o Visitador a 8 de maio de 1656 benzeu e lançou a primeira pedra da igreja)

1755, 1 Novembro – destruída a primeira igreja com o terramoto, saindo ilesa a capela-mor que fica então a servir de igreja

1755 – 1758 – o padre Malagrida, reitor do Colégio, empreende obras de reconstrução

– os actos religiosos passaram a decorrer na Capela de São Francisco Xavier

– a Igreja tinha a frente virada para o fundo da Igreja da Senhora da Graça

1758, 2 Setembro – alvará régio leva à expulsão da Companhia de Jesus e ao abandono do Colégio.

In http://www.monumentos.gov.pt

PINHO, Inês- De Colégio de S. Francisco Xavier a Palácio Fryxell.

Veja inclusive, sobre outros espaços da Companhia de Jesus:

– VEIGA, Francisca Branco. Noviciado da Cotovia: O Passado dos Museus da Politécnica 1619-1759, 2009; https://franciscabrancoveiga.com/2022/07/20/historia-do-noviciado-da-cotovia-da-companhia-de-jesus-cronologia/;

– Noviciado S. Francisco de Xavier (1706-1758). VEIGA, Francisca – “O noviciado como escola de formação de missionários: o noviciado de São Francisco de Xavier, de Arroios”. Comunicação proferida no Hospital de Santa Marta, Lisboa, 18/04/2012. Colóquio “Franciscanos, Jesuítas e Doutores: 500 anos a fabricar ideias de futuro para este mundo e o outro”. In https://franciscabrancoveiga.com/…/noviciado-s…/

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XI – Colégio de São Francisco Xavier / Igreja Paroquial da Horta, Açores

Ilha do Faial (Açores), Matriz

Fachada principal: portal da zona regral 

Arquitectura religiosa educativa, maneirista e barroca. Pertenceu a um Colégio da Companhia de Jesus, de planta rectangular regular, onde se inseria a igreja ao centro, uma zona conventual e outra colegial adossadas.

Fachada principal harmónica, com o corpo tripartido pelos vãos que a rasgam, flanqueada por torres sineiras à mesma altura, seguindo uma tendência típica das Ilhas, numa solução que a Companhia divulgou nos imóveis construídos no séc. XVII, estando presente nas fachadas dos Colégios de Elvas, Santarém, Angra, Ponta Delgada e Funchal, bem como na Casa Professa de Vila Viçosa. Fachadas circunscritas por cunhais apilastrados e rematadas em friso e cornija.

«IGREJA com fachada principal de tratamento simétrico, integrando, lateralmente, duas torres sineiras, à mesma altura do corpo central, com tratamento tripartido, dividido por quatro ordens de colunas e pilastras toscanas, definindo os quatro registos, separado por friso e cornija, que, no superior, são de maiores dimensões e mais salientes, correspondendo ao ligeiro recuo do muro.

No primeiro registo, rasgam-se três portais de verga reta e molduras recortadas, o central de maiores dimensões; nos três restantes, surgem, três janelas rectilíneas, as primeiras de varandim com guarda metálica, sendo, as do piso superior, rematadas em frontão, triangular no centro e semicircular sobre as laterais.

O corpo remata em tabela retangular vertical, enquadrando um resplendor envolvido por motivos vegetalistas, flanqueada por pilastras toscanas, encimadas por pináculos e aletas, sendo rematada por friso, cornija e espaldar contracurvado, sobre o qual surge cruz latina.

As torres dividem-se em quatro registos, os inferiores com janelas em capialço, os intermédios com janelas rectilíneas, as primeiras de varandim, e, no registo superior, as sineiras em arco de volta perfeita, assentes em impostas salientes; rematam em friso e cornija, encimados por pináculos e têm cobertura em cúpula»*. 

CRONOLOGIA

1648, 25 Novembro – falecimento do capitão Francisco Dutra de Quadros, que, em testamento, efectuado a 15 de Fevereiro de 1644 e aprovado a 8 de Junho de 1645, deixou bens para a fundação de um colégio da Companhia de Jesus

1652, 15 Outubro – fundação do Colégio de São Francisco Xavier, por ordem do vice-provincial Jerónimo Vogado, enviando um visitador e três padres, que chegaram no dia 21 do mesmo mês; lançamento da primeira pedra.

1680 – início da construção da igreja.

1759, 23 Junho – alvará extinguindo as classes e as escolas jesuíticas.

3 Setembro – ordem para a extinção da Companhia de Jesus.

1760 – expulsão da Companhia de Jesus, ficando por concluir o interior da igreja.

1825, A igreja tornou-se matriz.

1926, 31 Agosto – um terramoto abala o edifício.

1926 – 1930 – reconstrução do imóvel.

18 de Julho – criação do Museu da Horta.

2000 – criação do Núcleo Museológico dos Capelinhos para acolher a exposição permanente sobre a erupção vulcânica de 1957.

HOJE, o edifício alberga o Museu da Horta e a Câmara Municipal. 

*VEJA_SE, CARITARui, “O Colégio Jesuíta de São Francisco Xavier no Faial”, in O Faial e a periferia Açoriana nos séculos XV a XX, Horta, 1998, pp. 113-153; AFONSO, João, “A Igreja do Colégio de Angra no conjunto dos templos insulares da Companhia de Jesus (esboço de um estudo comparativo)”, in Atlântida, vol. X, n.º 1, Janeiro – Fevereiro 1966, pp. 55-60; http://www.monumentos.gov.pt

XII – Colégio dos Jesuítas de Vila Viçosa/Casa Professa de São João Evangelista / Igreja Paroquial de São Bartolomeu de Vila Viçosa / Igreja de São Bartolomeu

Fachada da Igreja Paroquial de S. Bartolomeu de Vila Viçosa

Casa professa da Companhia de Jesus, maneirista e barroca, de planta rectangular regular, composta por igreja no lado direito, com pátio adossado, este evoluindo em duas alas, por se encontrar inacabado. A igreja é de planta longitudinal, com quatro tramos e três capelas intercomunicantes, transepto inscrito, capela-mor pouco profunda e sacristia adossada ao lado direito, seguindo o esquema da Casa de São Roque.

Fachada principal harmónica, ostentando uma certa imponência no estilo barroco, forrada a bardilho marmóreo da região. Corpo tripartido pelos vãos que a rasgam, com três ordens de janelas e três portais ladeados de colunas dóricas. Fachada circunscrita por cunhais apilastrados e rematada em friso e cornija; frontões semicirculares, que contrastam com os frontões triangulares das janelas intermédias; o remate da fachada foi alterado pela introdução de platibanda e relógio. Acompanham-na duas torres sineiras mais altas, quadrangulares, numa solução que a Companhia divulgou nos imóveis construídos no séc. XVII, sem coruchéus e em cujos campanários de seis sinos se inclui o famoso Caracena que serviu o relógio público da Torre de Menagem do Castelo e que nas guerras da Restauração foi fortemente danificado pelas tropas do general espanhol daquele nome.

O frontão central é flanqueado por duas colunas estriadas assentes em plintos paralelepipédicos, que sustentam friso e cornija, tendo, na verga, as insígnias da Companhia de Jesus.

Portal axial: emblema jesuítico. 2005. @SIPAFOTO00686997

1569 (cerca de) – fixação dos Jesuítas na vila, instalando-se em casas arrendadas;

1601 – D. Teodósio II, Duque de Bragança, facilitou a compra do solar de João Gomes Vieira, situado na R. dos Fidalgos, por 1500 cruzados, onde se fundou a Casa Professa;

1602 (28 Janeiro) – a Casa foi incluída no padroado da Casa de Bragança;

1759 – expulsão dos Jesuítas e ocupação pela Casa de Bragança; o templo ficou a cargo das Irmandades de Nossa Senhora do Socorro e Santa Quitéria;

1822, 10 Dezembro – colocação, pela Câmara Municipal, do relógio no frontão da fachada principal.

Informação recolhida em http://www.monumentos.gov.pt

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VEIGA, Francisca Branco (2024), Fachadas das Igrejas Jesuítas em Portugal (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [01 de Abril de 2024].

Biblioteca da Ajuda, Jesuítas na Ásia, Série da Província da China, Séculos XVI e XVII

O período histórico em apreço é de tal modo importante e tão cheio de particularidades que um historiador pode bem sentir-se frustrado na escolha deste ou daquele tema. Para este trabalho, o conjunto de códices que a biblioteca da Ajuda tem sobre os jesuítas na Ásia é de uma quantidade e valor inestimável pelo que me foi difícil fazer a opção de escolha.

Após a viagem de Vasco da Gama à Índia chegam a Lisboa notícias sobre a China e sobre as navegações chinesas no Índico, realizadas entre 1405 e 1433.

D. Manuel, em 1508, envia Diogo Lopes de Sequeira a Malaca com o objectivo de recolher informações sobre a China e os chineses.

A partir de 1511, após a conquista de Malaca são feitos os primeiros contactos e é centralizado aqui o comércio português do Índico e dos mares da China.

Em 1513, Jorge Álvares penetra nos mares da China iniciando um período de intensas relações luso-chinesas.

Em 1515, em Malaca os portugueses ouvem falar de Macau, então conhecido pelo nome de Haojing, que significa Espelho de Ostra.

A partir desta data os portugueses procuram estabelecer relações diplomáticas com a China e obter um posto de comércio permanente na zona de Cantão.

Em 1517 é enviada à China a primeira embaixada, chefiada por Tomé Pires, com o intuito de estabelecer contactos políticos e diplomáticos que permitissem o comércio português na zona.

Assim, a instalação dos portugueses em Macau, em 1557, é fruto da conjugação de três factores essenciais: das condições internas e das relações internacionais estabelecidas pela dinastia reinante, Ming; do processo de aprendizagem dos portugueses nos mares da China; e da parceria de interesses comerciais que se estabeleceram entre chineses, portugueses e japoneses.

A China da dinastia Ming procura o monopólio do comércio externo marítimo através do controle da iniciativa privada das comunidades chinesas litorais e ultramarinas.

A crise fiscal e monetária da China, no tempo do imperador Jiajing  (1522-1566), e o consequente incremento da procura chinesa da prata, bem como a crescente produção da prata japonesa e a capacidade dos portugueses como intermediários, em parceria com chineses e japoneses, cria a possibilidade de Macau se tornar um entreposto, por onde passa a rota da seda, prata, porcelana, ouro e cobre.

Durante a ocupação filipina (1580-1640), o Império Português tornou-se muito fraco e desprotegido, visto que o Rei de Espanha, que era simultaneamente Rei de Portugal, não estava muito interessado em defender o Império Português. Estava mais interessado em defender e expandir o seu Império, em colonizar e controlar a América do Sul e em travar guerras com as outras potências europeias, nomeadamente a Inglaterra e a Holanda. Utilizou muitos recursos para manter estas guerras, em vez de utilizá-los para defender o nosso Império. Os inimigos de Espanha tornaram-se por consequência inimigos de Portugal. As colónias portuguesas sofreram inúmeros ataques dos ingleses, dos holandeses e dos franceses e muitas delas caíram nas mãos do inimigo.

Macau foi atacada em 1622 por 800 soldados holandeses. Eles desembarcaram na praia e avançaram com cautela para a Cidade, sofrendo pesado bombardeio de canhões da Fortaleza do Monte. A guarnição militar em Macau era pequena e muito inferior à força invasora holandesa. Após 2 dias de combate, no dia 24 de Junho, um padre jesuíta disparou um tiro de canhão e acertou com precisão, um vagão carregado de pólvora pertencente aos holandeses e foi assim que os militares de Macau derrotaram as forças invasoras. Dizem os registos portugueses que morreram algumas dezenas de portugueses e que morreram em combate ou afogados cerca de 350 holandeses. Para Macau, desprevenida, a vitória foi considerada um milagre. Após a vitória, os moradores de Macau passaram a comemorar o dia 24 de Junho, dia da vitória, como o “Dia da Cidade”. É também neste dia que se comemora o São João Baptista, o Padroeiro da Cidade. Conta a lenda que foi graças ao seu manto foram desviados os tiros dos inimigos, salvando a Cidade dos invasores holandeses.

Em 1640, em Portugal, quando a classe média e aristocracia, descontentes com o domínio espanhol e com o reinado de Filipe IV de Espanha (III de Portugal), quiseram restaurar a independência, pediram a D. João para encabeçar a causa. D. João aceitou a responsabilidade e a 1 de Dezembro deu-se o golpe contra Filipe III, sendo coroado Rei de Portugal a 15 de Dezembro de 1640.

Muitos mensageiros espalharam pelo país a notícia, levando consigo cartas para as autoridades de cada terra se encarregarem de aclamarem o novo rei. D. João IV enviou também diplomatas às principais cortes europeias com o objectivo de conseguir o reconhecimento da independência.

Na China, as notícias chegam dois anos depois. Em 30 Outubro de 1642 são enviadas cartas para Portugal, da Santa Casa da Misericórdia para dar a D. João IV os parabéns da aclamação. Também há registo de, em Agosto de 1643, uma Certidão de D. Sebastião Lobo de Sylveira Capitão Geral de Macau falando da felicidade dos Padres da companhia, aclamando D. João IV.

Macau é um espaço de pluralidade religiosa onde convivem com o cristianismo as várias expressões da religiosidade chinesa: o budismo, o daoísmo  e o confucionismo.

Os missionários jesuítas chegam à Ásia em 1542. Macau vai desempenhar um papel de centro difusor do cristianismo no Oriente. É a partir de Macau que partem as missões com destino ao Japão, à China e ao sueste asiático.

O Colégio de S. Paulo é a primeira universidade europeia na China, desenvolvendo cursos de artes, teologia, chinês, latim, matemática, astronomia, física, medicina, retórica e música. A impressão surge também ligada aos jesuítas e à difusão do cristianismo na China e no Japão. Em Macau imprime-se em três línguas: chinês, latim e português.

Fachada da Igreja de S. Paulo em Macau
Manuel da Costa
c. 1815
Litografia a preto sobre papel
Lisboa, Arquivo Histórico Ultramarino

O cristianismo tem nesta parte do mundo uma forte dimensão cultural, tendo penetrado por esta via junto das elites chinesas.

Os primeiros tempos dos jesuítas na China foram essencialmente marcados pelo estudo da língua, pela observação atenta dos hábitos religiosos e sociais, pelo esforço de integração cultural e, sobretudo, por uma grande contenção nos gestos e nas palavras, a fim de não darem azo a qualquer suspeita de confronto susceptíveis de justificarem a sua expulsão do país. Mesmo assim muitas foram as injúrias, os desacatos e intrigas contra os membros da Companhia de Jesus levando a extremos, como por exemplo, ao martírio de alguns membros.

XXXXX

A Biblioteca da Ajuda detém um acervo bastante importante, instaladas em 220 estantes, compreendendo 2800 prateleiras, num total de 3700 metros de prateleiras com um total de 105 000 espécimes manuscritos e impressos, como o Cancioneiro da Ajuda, o Livro de Traças de Carpintaria ou a obra Da fabrica que falece a cidade de Lisboa, de Francisco de Holanda.

Nos códices Jesuítas na Ásia as divisões, Série da Província do Japão, Série da Província da China, Série das Missões do Tonquim, orientam-nos no estudo dos vários espaços geográficos de missionização.

A origem do núcleo dos Jesuítas na Ásia está na chegada a Macau, em 1742, do Bispo D. Frei Hilário de Santa Rosa, acompanhado de dois franciscanos e quatro jesuítas, entre eles os Padres José Montanha S. J. e José de Jesus. À sua chegada esperava-os o Irmão João Álvares para os conduzir a Macau. Encontravam-se reunidos, pela primeira vez, os principais intervenientes de uma acção que iria frutificar na organização de um “corpo” histórico de extrema importância hoje em dia, existente na Biblioteca da Ajuda, na Biblioteca Nacional de Lisboa, e na Academia Real da História, em Madrid.

Em 1745 o Irmão João Álvares e o Padre José Montanha dirigiram os trabalhos de treslado directamente para a Procuratura da Província do Japão em Lisboa, no Colégio de Santo Antão.

O conteúdo dos treslados é diversificado: desde cartas anuas e notícias das missões, incluindo a epistolografia Xavieriana; tratados e pareceres teológicos-morais sobre os ritos sínicos, toda a série de notícias e actos das controvérsias com os Vigários Apostólicos e a Sagrada Congregação da Propaganda Fide, o longo martiriológico jesuítico, bem como a sucessão dos Bispos de Macau, China e Japão e superiores das respectivas Províncias e Vice-Províncias. Inventários e cargas do barco “negro” da viagem do Japão, bens do Colégio de Macau e da Procuratura da Província do Japão, enfim, um pouco da vida civil e religiosa de Macau. Por fim, as grandes obras de Fróis, Montanha, Valignano e Cardim, entre outros.

Da pesquisa historiográfica dos 61 códices dos Jesuítas na Ásia conseguimos ter uma ideia organizada sobre a sua penetração na Ásia, o embate cultural e a estratégia de fixação, os métodos missionários utilizados, os seus desejos, as suas convicções, os seus medos.

Através de um grande esforço de aproximação, do fomento do intercâmbio científico e de uma missionação efetiva, os missionários da Companhia de Jesus desempenharam um papel importante, a partir dos finais do século XVI e, em especial, durante o século XVII, no encontro das culturas europeia e chinesa.

Bibliografia

ARAÚJO, Horácio Peixoto de, Os Jesuítas no Império da China: o primeiro século (1582-1680), Macau: Instituto Português do Oriente, 2000.

GEADA, Maria da Conceição, Índice Onomástico da Colecção dos Jesuítas na Ásia, Lisboa, Biblioteca da Ajuda, 1976.

LEÃO, Francisco G. Cunha, Jesuítas na Ásia: catálogo e guia, Macau: Instituto Cultural de Macau: Instituto Português do Património Arquitectónico: Biblioteca da Ajuda, 1998.

LOUREIRO, Rui Manuel, Fidalgos, missionários e mandarins: Portugal e a China no século XVI, Lisboa: Fundação Oriente, 2000.

PEREIRA, Galiote, Primeiros escritos portugueses sobre a China, Lisboa: Alfa, D.L. 1989.

RODRIGUES, Francisco, A aclamação de D. João IV em Macau, Lisboa: [Tip. Porto Médico], 1944.

RODRIGUES, Francisco, Jesuítas portugueses astrónomos na China: 1583-1805, Macau : Instituto Cultural, 1990.

SANDE, Duarte de, Um tratado sobre o reino da China dos padres Duarte Sande e Alessandro Valignano (Macau, 1590) / introd., versão port. e notas de Rui Manuel Loureiro, Macau : Instituto Cultural, 1992.

SILVA, Armando Malheiro da, Arquivística: teoria e prática de uma ciência da informação, Porto: Afrontamento, imp. 1999.

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Como referir este artigo:

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VEIGA, Francisca Branco (2024),  Biblioteca da Ajuda, Jesuítas na Ásia, Série da Província da China, Séculos XVI e XVII (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [03 de Fevereiro de 2024].

(Trabalho elaborado para a cadeira de Arquivística. Mestrado em Património Histórico de Matriz Cristã. Área de Comunicação Social. Universidade Católica de Lisboa. Lisboa, 2006.

Título do trabalho: CÓDICE 49-V-3. Série da Província da China)

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Lisboa Precursora do Projeto Inaciano: O Colégio de Santo Antão-o-Velho

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VEIGA, Francisca Branco (2024),  Lisboa Percursora do Projeto Inaciano: O Colégio de Santo Antão-o-Velho (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [16 de Janeiro de 2024].

Palestra proferida para as Jornadas Europeias do Património 2012.
“A Companhia de Jesus em Lisboa. Os jesuítas e a Santa Casa da Misericórdia:
Desafios comuns na tradição cultural”
(Museu de São Roque 28-09-2012)

Título da comunicação:

Lisboa percursora do Projeto inaciano: Colégio de Santo Antão-o-velho e Noviciado da Cotovia

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Quadro cronológico relativo à estada da Companhia de Jesus em Portugal de 1540 à atualidade

A Companhia de Jesus, ordem religiosa fundada em 1534 por um grupo de estudantes da Universidade de Paris, liderados pelo basco Inácio de Loyola, é conhecida principalmente pelo seu trabalho missionário e de educação.

Ao entrar em Portugal pela mão do rei D. João III, logo após a sua fundação, é, no reinado de D. José, expulsa de Portugal, levando ao encerramento da presença evangelizadora, missionária e educativa nos territórios portugueses (1759).

Retrato de D. João III de Portugal, no Museu de São Roque.
 É uma réplica dum quadro pelo Mestre Flamengo Anthonis Moro, pintado em 1522 (Museu do Prado, Madrid).
Este quadro é atribuído a Cristóvão Lopes, filho de Gregório Lopes e seu sucessor enquanto pintor da corte em 1550.
S. Francisco Xavier despedindo-se de D. João III
André Reinoso, cerca de 1619
Igreja de S. Roque, Lisboa, Portugal

O século XIX vai ser para os jesuítas um século de exílios. Reentram em Portugal em 1829, no reinado de D. Miguel, e são novamente expulsos seis anos depois por D. Pedro, regente em nome de sua filha D. Maria II.

Johann Nepomuk Ender
Viena, Áustria, 1827
Óleo sobre tela
256×180 cm
Assinado e datado: “Giovanni Ender pinx, Vienne 1827”

Em 1858, será o Padre Rademaker a pessoa que irá fazer renascer os missionários jesuítas em Portugal, que a República volta a expulsar (outubro de 1910).

Carlos João Rademaker (1828—1885)
Autor desconhecido

A partir de 1923, no governo do presidente António José de Almeida (6º presidente da Primeira República Portuguesa – 5 de outubro de 1919 a 5 de Outubro de 1923), reabrem algumas residências em Portugal, sendo, pelo decreto de 12 de maio de 1941, na sequência da Concordata de 1940, reconhecidos como corporação missionária, normalizando, deste modo, a sua situação jurídica.

«INTER SANCTAM SEDEM ET REMPUBLICAM LUSITANAM 

SOLLEMNES CONVENTIONES

CONCORDATA ENTRE A SANTA SÉ E A
REPÚBLICA PORTUGUESA

Em nome da Santíssima Trindade

Sua Santidade o Sumo Pontífice Pio XII, e Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa, dispostos a regular por mútuo acôrdo e de modo estável a situação jurídica da Igreja Católica em Portugal, para a paz e maior bem da Igreja e do Estado,

Resolveram concluir entre si uma solene Convenção que reconheça e garanta a liberdade da Igreja e salvaguarde os legítimos interesses da Nação Portuguesa, inclusivamente no que respeita às Missões Católicas e ao Padroado do Oriente.

Para tal efeito, Sua Santidade nomeou seu Plenipotenciário Sua Eminência Reverendíssima o Senhor Cardeal LUIGI MAGLIONE, Seu Secretário de Estado,

e o Senhor Presidente da República Portuguesa nomeou Seus Plenipotenciários :

Sua Excelência o Sr. General EDUARDO AUGUSTO MARQUES, antigo Ministro das Colónias, Presidente da Câmara Corporativa, Gran Cruz das Ordens militares de Cristo, de S. Bento d’Aviz e da Ordem do Império Colonial;

Sua Excelência o Sr. Doutor MARIO DE FIGUEIREDO, antigo Ministro da Justiça e dos Cultos, Professor e Director da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Deputado e Gran Cruz da Ordem militar de S. Tiago da Espada;

Sua Excelência o Sr. Doutor VASCO FRANCISCO CAETANO DE QUEVEDO, Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário junto da Santa Sé, Gran Cruz da Ordem militar de Cristo e Cavaleiro de Gran Cruz da Ordem de S. Gregório Magno;

os quais, trocados os seus respectivos plenos poderes e achados em boa e devida forma, acordaram nos artigos seguintes :

Art. I

A República Portuguesa reconhece a personalidade jurídica da Igreja Católica. As relações amigáveis com a Santa Sé serão asseguradas na forma tradicional por que historicamente se exprimiam, mediante um Núncio Apostólico junto da República Portuguesa e um Embaixador da República junto da Santa Sé.

[…]

Assinatura da Concordata e do Acordo Missionário no Vaticano, 7 de Maio de 1940. À direita o Cardeal Luigi Maglione, representante da Santa Sé e à esquerda o General Eduardo Marques, antigo Ministro das Colónias portuguesas. [AHD- Colecção de Álbuns Fotográficos].

Quadro alusivo à estada da Companhia de Jesus em Portugal de 1540 à atualidade

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VEIGA, Francisca Branco (2023),   Quadro cronológico relativo à estada da Companhia de Jesus em Portugal de 1540 à atualidade (blogue da autora Francisca Branco Veiga). Disponível em: https://franciscabrancoveiga.com/ [02 de Janeiro de 2024].

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